Legados históricos que moldam a nova geração de navios da Marinha do Brasil
Compromisso, dedicação e coragem são valores que conectam os personagens históricos homenageados pelas Fragatas da Classe Tamandaré. Do período colonial ao Império, esses homens não apenas marcaram a história do País, como também ajudaram a definir a identidade e a tradição naval da Marinha do Brasil.
As embarcações do Programa Fragatas Classe Tamandaré carregam, além de tecnologia avançada e elevada capacidade operacional, nomes que remetem a figuras centrais da formação da Marinha e da defesa do território nacional. Jerônimo de Albuquerque, Luís da Cunha Moreira, Antônio Carlos de Mariz e Barros e Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré, destacaram-se em diferentes momentos da história ao colocar o serviço à Pátria acima de interesses pessoais. Atuando em conflitos decisivos e em períodos fundamentais para a consolidação do Brasil como nação soberana, esses personagens tornaram-se referências permanentes para as gerações futuras. Ao batizar as novas fragatas com seus nomes, a Marinha do Brasil preserva sua memória e reafirma os valores que orientam a Força Naval no presente e no futuro.
Jerônimo de Albuquerque: defesa do território no período colonial
Figura de destaque na defesa do território brasileiro contra invasões estrangeiras no século XVII, Jerônimo de Albuquerque foi o primeiro brasileiro nato a comandar uma frota naval empregada em operações militares. Seu nome batiza a Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201), segunda embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, lançada ao mar em 2025.
A importância de Jerônimo de Albuquerque foi reconhecida ao liderar a expulsão dos franceses do Maranhão, em 1615. Na ocasião, comandava uma flotilha composta por quatro embarcações à vela, conduzindo cerca de 100 homens. À época, os franceses buscavam estabelecer-se na região, negociando com povos indígenas do litoral, atraídos pelos produtos locais e pela alta demanda da indústria têxtil europeia.
Filho de um português de mesmo nome e da indígena tupi Maria do Espírito Santo Arcoverde, Jerônimo de Albuquerque falava fluentemente o tupi e o português. Sua capacidade de articular interesses portugueses com a cultura indígena, aliada a um aguçado senso de liderança, permitiu-lhe atuar como elo entre dois mundos distintos, fator decisivo para o êxito das ações militares e políticas na região.
Após o conflito, passou a responder pelo Forte dos Reis Magos, construído pelos portugueses na foz do Rio Grande, na atual cidade de Natal (RN), um dos marcos históricos da fundação da cidade. Em reconhecimento aos serviços prestados à Coroa, foi nomeado o primeiro Governador do Maranhão, consolidando seu papel na defesa e na formação do território brasileiro.
Jerônimo de Albuquerque – A defesa do território brasileiro
Figura de destaque na defesa do território brasileiro contra invasões estrangeiras no século XVII, Jerônimo de Albuquerque foi o primeiro brasileiro nato a comandar uma frota naval empregada em operações militares. Seu nome batiza a Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201), segunda embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, lançada ao mar em 2025.
A importância de Jerônimo de Albuquerque foi reconhecida ao liderar a expulsão dos franceses do Maranhão, em 1615. Na ocasião, comandava uma flotilha composta por quatro embarcações à vela, conduzindo cerca de 100 homens. À época, os franceses buscavam estabelecer-se na região, negociando com povos indígenas do litoral, atraídos pelos produtos locais e pela alta demanda da indústria têxtil europeia.
Filho de um português de mesmo nome e da indígena tupi Maria do Espírito Santo Arcoverde, Jerônimo de Albuquerque falava fluentemente o tupi e o português. Sua capacidade de articular interesses portugueses com a cultura indígena, aliada a um aguçado senso de liderança, permitiu-lhe atuar como elo entre dois mundos distintos, fator decisivo para o êxito das ações militares e políticas na região.
Após o conflito, passou a responder pelo Forte dos Reis Magos, construído pelos portugueses na foz do Rio Grande, na atual cidade de Natal (RN), um dos marcos históricos da fundação da cidade. Em reconhecimento aos serviços prestados à Coroa, foi nomeado o primeiro Governador do Maranhão, consolidando seu papel na defesa e na formação do território brasileiro.
Luís da Cunha Moreira – A construção da Marinha Nacional
Assim como Jerônimo de Albuquerque, Luís da Cunha Moreira construiu uma trajetória marcada pelo acúmulo de experiências e pela ascensão progressiva ao longo da carreira naval. Seu nome batiza a Fragata Luís da Cunha Moreira (F202), terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, atualmente em construção.
Baiano, nascido em 1º de outubro de 1777, Cunha Moreira seguiu para Portugal a fim de completar sua formação e ingressou na Armada Real em 1795. Ao longo de seus diversos embarques, participou da Esquadra Luso-Britânica responsável pela transferência da Família Real portuguesa para o Brasil. Destacou-se também por sua participação na conquista da Cisplatina e na repressão à Revolução Pernambucana, em 1817.
Foi o primeiro militar genuinamente brasileiro a exercer o cargo de Ministro da Marinha. No desempenho de funções estratégicas, ocupou cargos relevantes, entre eles o de Comandante da Academia Nacional e Imperial dos Guarda-Marinha, instituição que deu origem à atual Escola Naval. Contudo, seu maior desafio ocorreu durante as Campanhas da Independência, quando coube a ele conduzir o processo de formação e organização da então incipiente Armada Nacional e Imperial, à frente da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha.
Em meio às incertezas daquele período, liderou a Comissão encarregada de avaliar o apoio dos oficiais portugueses que permaneceram na Corte à causa nacional. Diante do número reduzido e da lealdade considerada incerta desses militares, optou pela contratação de oficiais estrangeiros, que se tornaram elementos decisivos para a Força Naval, como o Almirante Lord Thomas Cochrane, então Comandante-em-Chefe da Esquadra, além de John Taylor e John Grenfell.
Mesmo após sua passagem para a reserva, Cunha Moreira permaneceu atuando como Conselheiro de Guerra, demonstrando permanente compromisso com a defesa e o aprimoramento das Forças Armadas. Sua atuação foi fundamental para a consolidação da Independência política brasileira, especialmente ao estruturar o funcionamento regular do mecanismo administrativo da Marinha, coordenando seus diferentes órgãos e contribuindo de forma decisiva para a afirmação da soberania nacional.
Mariz e Barros: o heroísmo em defesa da Pátria
Outro nome que simboliza bravura, disciplina e dedicação ao serviço naval é o de Antônio Carlos de Mariz e Barros, que dá nome à quarta embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, a Fragata Mariz e Barros (F203), atualmente em construção.
Primeiro-Tenente da Marinha Imperial, Mariz e Barros iniciou sua carreira em 1849, construindo uma trajetória marcada pela coragem e pelo compromisso com a defesa da Pátria. Embora tenha tido uma vida breve, tornou-se figura respeitada na história do Brasil em razão de sua atuação como comandante do encouraçado Tamandaré durante a Guerra do Paraguai.
Carioca, nascido em 1835, era filho do Vice-Almirante Joaquim José Ignácio, o Visconde de Inhaúma, e de Maria José de Mariz e Barros. Em 11 de junho de 1865, servia a bordo da canhoneira Jequitinhonha e, mesmo ferido em combate, permaneceu à frente da tripulação, contribuindo decisivamente para a resistência brasileira.
No mesmo ano, passou a integrar a 2ª Divisão da Esquadra em Operações de Guerra, participando de ações ofensivas contra as fortificações paraguaias ao longo do rio Paraguai. Durante um combate a bordo do encouraçado Tamandaré, o navio foi atingido por um disparo de canhão inimigo, ferindo gravemente Mariz e Barros, que veio a falecer em 1866 em decorrência dos ferimentos.
Ao longo de sua trajetória, participou de diversas missões de reconhecimento nas imediações do Forte de Itapiru e já havia se destacado anteriormente na Campanha Oriental, durante o cerco e a tomada de Paissandu. Nessas operações, ao assumir o comando do encouraçado Tamandaré e seguir para a cidade de Corrientes, tornou-se um dos principais alvos das forças inimigas.
A memória de Mariz e Barros permanece viva na Marinha do Brasil, que deu seu nome a diferentes navios ao longo da história, entre eles contratorpedeiros e o encouraçado da Classe Mariz e Barros. Seu legado é preservado como referência de honra, coragem e dedicação ao serviço naval, simbolizando o sacrifício supremo em defesa da nação.
O programa Fragatas Classe Tamandaré e sua importância estratégica
O Programa Fragatas Classe Tamandaré reúne, em uma única classe de navios, nomes históricos que simbolizam a tradição naval brasileira, transformando cada embarcação em um vínculo permanente entre a herança do passado e as exigências operacionais do futuro. Integrado ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do Governo Federal, o projeto representa um avanço relevante na modernização da Marinha do Brasil.
Firmado em março de 2020, o contrato do programa é conduzido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), em parceria com a Marinha do Brasil e a SPE Águas Azuis, composta pela Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), pela Embraer Defesa & Segurança e pela Atech. Desde o início, o empreendimento vem apresentando progressos consistentes nas atividades de construção, encontrando-se a quarta e última fragata, identificada como F203, em fase de fabricação, conforme o cronograma estabelecido.
O programa tem como propósito fortalecer a soberania nacional e fomentar o desenvolvimento da indústria de defesa brasileira, promovendo a capacitação da base produtiva necessária à construção de navios militares no País. Paralelamente, busca ampliar e consolidar a presença da Marinha do Brasil na Amazônia Azul, contribuindo para o controle e a segurança das linhas de comunicação marítima de interesse nacional.
As Fragatas Classe Tamandaré são navios do tipo escolta, dotados de elevada capacidade de combate e aptos a operar em todos os cenários da guerra naval. Além de incorporarem sistemas modernos e tecnologia avançada, essas embarcações preservam valores históricos e reafirmam o papel da Força Naval na proteção dos interesses do Brasil, levando consigo a memória dos heróis que marcaram a trajetória marítima do País.
Fonte: Agência Marinha de Notícias – https://www.agencia.marinha.mil.br/
Edição editorial: Zona de Manobra






