Os heróis por trás das Fragatas Classe Tamandaré

4 heróis que dão nome às Fragatas Classe Tamandaré

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Os 4 heróis por trás das Fragatas Classe Tamandaré representam os valores que inspiram um dos mais importantes programas de modernização da Marinha do Brasil. As Fragatas Classe Tamandaré homenageiam personagens históricos que tiveram papel decisivo na defesa do território nacional e na construção da tradição naval brasileira, preservando um legado de coragem, liderança e compromisso com a Pátria.

Os nomes que preservam a história da Marinha do Brasil

As Fragatas Classe Tamandaré carregam, além de tecnologia avançada e elevada capacidade operacional, nomes que homenageiam figuras centrais da história da Marinha do Brasil e da defesa nacional. Jerônimo de Albuquerque, Luís da Cunha Moreira, Antônio Carlos de Mariz e Barros e Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré, destacaram-se em diferentes períodos ao colocar o serviço à Pátria acima dos interesses pessoais, participando de conflitos decisivos e contribuindo para a formação e a consolidação do Brasil como nação soberana.

Ao batizar as novas Fragatas Classe Tamandaré com esses nomes históricos, a Marinha do Brasil preserva a memória de seus heróis e reforça os valores que orientam a Força Naval no presente e no futuro. O programa une tradição e inovação, fazendo com que cada embarcação represente não apenas um avanço tecnológico, mas também o legado daqueles que ajudaram a construir a história naval brasileira.

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Marqués de Tamandaré
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Fragata tamandaré

Jerônimo de Albuquerque: pioneiro na defesa do território brasileiro

Figura de destaque na defesa do território brasileiro contra invasões estrangeiras no século XVII, Jerônimo de Albuquerque foi o primeiro brasileiro nato a comandar uma frota naval empregada em operações militares. Em reconhecimento à sua contribuição para a consolidação do território nacional, seu nome foi escolhido para batizar a Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201), segunda embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, lançada ao mar em 2025.

Filho do português Jerônimo de Albuquerque e da indígena tupi Maria do Espírito Santo Arcoverde, dominava tanto a língua portuguesa quanto o tupi. Essa habilidade permitiu-lhe estabelecer uma importante ponte entre a cultura portuguesa e os povos indígenas, característica que se mostrou decisiva nas ações militares e políticas conduzidas durante o período colonial.

Seu maior feito ocorreu em 1615, quando liderou a expulsão dos franceses do Maranhão. À frente de uma flotilha composta por quatro embarcações à vela e cerca de 100 homens, comandou a ofensiva que encerrou a tentativa francesa de consolidar uma ocupação na região, onde buscavam estabelecer relações comerciais com povos indígenas e explorar produtos de interesse da indústria têxtil europeia.

Após a vitória, Jerônimo de Albuquerque assumiu o comando do Forte dos Reis Magos, na foz do Rio Grande, atual cidade de Natal (RN), uma das mais importantes fortificações portuguesas da época. Posteriormente, em reconhecimento aos serviços prestados à Coroa Portuguesa, foi nomeado o primeiro Governador do Maranhão, consolidando seu legado como um dos principais responsáveis pela defesa e pela formação do território brasileiro.

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Jerônimo de Albuquerque

Luís da Cunha Moreira: o primeiro Ministro da Marinha brasileiro

Assim como Jerônimo de Albuquerque, Luís da Cunha Moreira construiu uma trajetória marcada pelo acúmulo de experiências e pela ascensão progressiva ao longo da carreira naval. Seu legado é homenageado na Fragata Luís da Cunha Moreira (F202), terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, atualmente em construção.

Natural da Bahia, onde nasceu em 1º de outubro de 1777, Cunha Moreira seguiu para Portugal para concluir sua formação e ingressou na Armada Real em 1795. Durante sua carreira, participou de importantes acontecimentos históricos, entre eles a escolta da Esquadra Luso-Britânica responsável pela transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil, além da conquista da Cisplatina e da repressão à Revolução Pernambucana, em 1817.

Com a Independência do Brasil, tornou-se o primeiro brasileiro nato a ocupar o cargo de Ministro da Marinha. Também exerceu funções estratégicas de grande relevância, como o comando da Academia Nacional e Imperial dos Guarda-Marinha, instituição que deu origem à atual Escola Naval.

Seu maior desafio, entretanto, ocorreu durante as Campanhas da Independência. À frente da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha, foi responsável por organizar a então nascente Armada Nacional e Imperial, estruturando sua administração e estabelecendo as bases para o funcionamento da Marinha brasileira.

Diante da escassez de oficiais comprometidos com a causa da Independência, liderou a comissão encarregada de avaliar a permanência dos militares portugueses na nova Força Naval. Ao constatar que o número de oficiais disponíveis era reduzido e que havia incertezas quanto à lealdade de parte deles, optou pela contratação de experientes oficiais estrangeiros, entre os quais se destacaram o Almirante Lord Thomas Cochrane, então Comandante-em-Chefe da Esquadra, além de John Taylor e John Grenfell, personagens que desempenharam papel decisivo na consolidação do Poder Naval brasileiro.

Mesmo após passar para a reserva, Cunha Moreira continuou contribuindo para o fortalecimento da defesa nacional como Conselheiro de Guerra. Sua atuação foi fundamental para consolidar a Independência política do Brasil, especialmente ao estruturar a administração da Marinha, coordenar seus diferentes órgãos e estabelecer as bases institucionais que contribuíram para a afirmação da soberania nacional.

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Luís da Cunha Moreira

Antônio Carlos de Mariz e Barros: coragem e sacrifício na Guerra do Paraguai

Outro nome que simboliza bravura, disciplina e dedicação ao serviço naval é o de Antônio Carlos de Mariz e Barros, homenageado pela Fragata Mariz e Barros (F203), quarta embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, atualmente em construção.

Nascido no Rio de Janeiro em 1835, Mariz e Barros era filho do Vice-Almirante Joaquim José Ignácio, o Visconde de Inhaúma, e de Maria José de Mariz e Barros. Ingressou na Marinha Imperial em 1849, iniciando uma carreira marcada pela coragem, pelo profissionalismo e pelo compromisso com a defesa da Pátria.

Antes de ganhar notoriedade na Guerra do Paraguai, participou da Campanha Oriental, destacando-se durante o cerco e a tomada de Paissandu. Também integrou diversas missões de reconhecimento nas proximidades do Forte de Itapiru, consolidando sua experiência em operações de combate e tornando-se um dos oficiais de maior destaque da Marinha Imperial.

Durante a Guerra do Paraguai, serviu inicialmente a bordo da canhoneira Jequitinhonha. Em 11 de junho de 1865, mesmo após ser ferido em combate, permaneceu no comando de sua tripulação, contribuindo decisivamente para a resistência das forças brasileiras. Posteriormente, passou a integrar a 2ª Divisão da Esquadra em Operações de Guerra, participando de ações ofensivas contra as fortificações paraguaias ao longo do rio Paraguai.

Ao assumir o comando do encouraçado Tamandaré, tornou-se um dos principais alvos das forças inimigas. Durante um intenso combate, a embarcação foi atingida por um disparo de artilharia que o feriu gravemente. Mariz e Barros não resistiu aos ferimentos e faleceu em 1866, tornando-se um dos símbolos do sacrifício e da dedicação dos marinheiros brasileiros durante o conflito.

A memória de Mariz e Barros permanece viva na Marinha do Brasil, que homenageou seu legado ao batizar diferentes navios com seu nome ao longo da história, incluindo contratorpedeiros e embarcações da Classe Mariz e Barros. Atualmente, sua trajetória inspira a nova Fragata Mariz e Barros (F203), preservando o exemplo de honra, coragem e dedicação daqueles que colocaram o serviço à Pátria acima dos próprios interesses.

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Antônio Carlos de Mariz e Barros

O programa Fragatas Classe Tamandaré e sua importância estratégica

O Programa Fragatas Classe Tamandaré reúne, em uma única classe de navios, nomes históricos que simbolizam a tradição naval brasileira, transformando cada embarcação em um vínculo permanente entre a herança do passado e as exigências operacionais do futuro. Integrado ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do Governo Federal, o projeto representa um avanço relevante na modernização da Marinha do Brasil.

Firmado em março de 2020, o contrato do programa é conduzido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), em parceria com a Marinha do Brasil e a SPE Águas Azuis, composta pela Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), pela Embraer Defesa & Segurança e pela Atech. Desde o início, o empreendimento vem apresentando progressos consistentes nas atividades de construção, encontrando-se a quarta e última fragata, identificada como F203, em fase de fabricação, conforme o cronograma estabelecido.

O programa tem como propósito fortalecer a soberania nacional e fomentar o desenvolvimento da indústria de defesa brasileira, promovendo a capacitação da base produtiva necessária à construção de navios militares no País. Paralelamente, busca ampliar e consolidar a presença da Marinha do Brasil na Amazônia Azul, contribuindo para o controle e a segurança das linhas de comunicação marítima de interesse nacional.

As Fragatas Classe Tamandaré são navios do tipo escolta, dotados de elevada capacidade de combate e aptos a operar em todos os cenários da guerra naval. Além de incorporarem sistemas modernos e tecnologia avançada, essas embarcações preservam valores históricos e reafirmam o papel da Força Naval na proteção dos interesses do Brasil, levando consigo a memória dos heróis que marcaram a trajetória marítima do País.

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Créditos

Fonte: Agência Marinha de Notícias

Edição, adaptação e complementação editorial: Jhonanta Marcelino – Editor-chefe do Zona de Manobra.

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