aviação naval - SH-16 Seahawk

Aviação Naval completa 110 anos de história e evolução

Marinha do Brasil Aviação Naval

Da criação da Escola de Aviação Naval, em 1916, à operação de helicópteros SH-16 e sistemas remotamente pilotados, a Marinha mantém uma trajetória marcada pela transformação de sua capacidade aérea

A Aviação Naval brasileira completa 110 anos em 2026, uma trajetória iniciada em 23 de agosto de 1916, com a criação da Escola de Aviação Naval.

O marco foi celebrado pela Marinha com uma cerimônia realizada em 21 de agosto, no Complexo Aeronaval de São Pedro da Aldeia (RJ). A solenidade foi presidida pelo Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, e reuniu autoridades civis e militares e integrantes das Organizações Militares do Complexo Aeronaval. 

Mais do que registrar uma data histórica, os 110 anos permitem observar a transformação da Aviação Naval brasileira: de uma estrutura criada para formar aviadores navais no início do século XX até uma organização que atualmente reúne aeronaves de diferentes tipos e também opera sistemas remotamente pilotados.

Aviação naval
Comando da Força Aeronaval celebra os 110 Anos da Aviação Naval Foto: Marinha do Brasil

O nascimento da Aviação Naval

A história da Aviação Naval começa oficialmente em 23 de agosto de 1916, quando o então Presidente Wenceslau Braz assinou o decreto de criação da Escola de Aviação Naval.

Segundo o Acervo Arquivístico da Marinha, a escola foi a primeira escola militar de aviação do país, tornando-se o marco de nascimento da Aviação Naval brasileira. 

Antes mesmo de 1916, porém, a Marinha já demonstrava interesse pelo emprego militar das aeronaves.

Em 1911, o Tenente da Marinha Jorge Henrique Moller recebeu, na França, seu brevet de piloto, tornando-se o primeiro militar brasileiro a obter essa qualificação. No mesmo ano, foi fundado o Aero Clube Brasileiro, cujo primeiro presidente foi o Almirante José Carlos de Carvalho. 

A criação da Escola de Aviação Naval representou, portanto, a transformação desse interesse inicial em uma estrutura organizada de formação e emprego de aeronaves.

A primeira fase e a perda do componente aéreo

A primeira fase da Aviação Naval se estendeu de 1916 a 1941.

Nesse período ocorreram diferentes iniciativas pioneiras, incluindo voos de longa distância, transporte de malas aéreas e a participação de aviadores navais brasileiros em operações de patrulha durante a Primeira Guerra Mundial, integrados ao esforço britânico. 

Essa primeira fase terminou em 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica.

Com a reorganização da aviação militar brasileira naquele período, a Marinha deixou de possuir seu componente aéreo orgânico. 

A interrupção, entretanto, não significou o fim da relação da Marinha com a aviação.

Hidroaviões Curtiss em montagem nos hangares da Escola de Aviação Naval.
Hidroaviões Curtiss em montagem nos hangares da Escola de Aviação Naval. Foto: Acervo Arquivístico da Marinha do Brasil.

A retomada da Aviação Naval

A reconstrução da capacidade aérea da Marinha começou em uma nova fase a partir de 1952, com a criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha.

O processo avançou nas décadas seguintes com a formação de pessoal, a criação de estruturas especializadas e a aquisição de meios aéreos.

Entre os marcos registrados pelo Acervo Arquivístico da Marinha estão a construção do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval, a formação de pessoal, a construção do Complexo Aeronaval de São Pedro da Aldeia e a incorporação do NAeL Minas Gerais e, posteriormente, do NAe São Paulo

A trajetória também passou por uma mudança importante em 1965, quando a Marinha ficou restrita às aeronaves de asa rotativa.

 NAe São Paulo - aviação naval
NAe São Paulo – Foto: Marinha do Brasil

A retomada das aeronaves de asa fixa

Outro momento importante ocorreu em 1998.

A partir daquele período, a Marinha voltou a possuir autorização para operar aeronaves de asa fixa, iniciando uma nova etapa na evolução de sua capacidade aérea.

Essa trajetória foi acompanhada pelo desenvolvimento da estrutura de apoio, formação de pessoal e organização dos esquadrões da Aviação Naval.

Hoje, a estrutura é concentrada principalmente no Complexo Aeronaval de São Pedro da Aldeia, onde estão sediadas organizações responsáveis pela formação, apoio e emprego dos meios aéreos da Marinha. 

NAeL Minas Gerais
NAeL Minas Gerais Foto: Marinha do Brasil

Uma Aviação Naval espalhada por diferentes ambientes

A estrutura atual não está limitada a São Pedro da Aldeia.

Segundo o Acervo Arquivístico da Marinha, a Aviação Naval possui organizações subordinadas a diferentes comandos, incluindo unidades em Manaus, Ladário e no âmbito do 5º Distrito Naval, além das organizações sediadas no Complexo Aeronaval. 

Os meios aéreos participam de exercícios com os Fuzileiros Navais e de operações embarcadas em navios da Esquadra e das Forças Distritais.

Também são empregados em atividades relacionadas à hidrografia, Operações Antárticas, busca e salvamento e missões de apoio

Essa distribuição permite que a Aviação Naval esteja presente em diferentes ambientes de atuação da Marinha, desde o litoral e o mar aberto até a Amazônia, o Pantanal e a Antártica.

SH-16 Seahawk: guerra antissubmarino e antissuperfície

Entre os meios que representam a capacidade atual da Aviação Naval está o SH-16 Seahawk, operado pelo 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1).

Em fevereiro de 2026, o esquadrão alcançou a marca de 12 mil horas de voo com as aeronaves SH-16, durante um voo de adestramento realizado com o emprego de Óculos de Visão Noturna. 

Segundo o Comando da Força Aeronaval, os SH-16 são empregados nas capacidades de guerra antissubmarino e antissuperfície da Esquadra.

A aeronave também está sendo preparada para operar a partir das Fragatas Classe Tamandaré, ampliando a integração entre os meios aéreos e a nova geração de navios de superfície da Marinha. 

SH-16 Seahawk
SH-16 Seahawk Foto: Marinha do Brasil

A chegada dos sistemas remotamente pilotados

A evolução da Aviação Naval também pode ser observada na incorporação de sistemas remotamente pilotados.

Em publicação de 11 de setembro de 2026, o Comando da Força Aeronaval informou que cerca de 300 oficiais das Organizações Militares da Aviação Naval participaram de uma palestra sobre os principais cenários geopolíticos internacionais e seus reflexos para o ambiente marítimo e estratégico. 

Durante a atividade, houve também uma visita ao 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1) e ao 1º Esquadrão de Aeronaves Remotamente Pilotadas (QE-1).

A Marinha identifica o QE-1 como a primeira unidade da Força dedicada à operação desse tipo de sistema

A presença do QE-1 mostra que a estrutura aeronaval brasileira passou a incorporar sistemas remotamente pilotados ao lado das aeronaves tripuladas.

RQ-1 ScanEagle
RQ-1 ScanEagle, sistema de aeronave remotamente pilotada empregado pela Marinha do Brasil. Foto: Marinha do Brasil.

110 anos de memória e reconhecimento

A cerimônia realizada em São Pedro da Aldeia também foi marcada por homenagens.

Foram entregues Diplomas do Mérito Aeronaval a autoridades, personalidades, instituições e empresas que prestaram relevantes serviços em prol da Aviação Naval.

Também foram concedidas Láureas de Segurança de Aviação, nas categorias Troféu Distinção e Menção Honrosa, em reconhecimento a Organizações Militares e militares que se destacaram em atividades relacionadas à Segurança de Aviação. 

A solenidade marcou ainda os 50 anos de ingresso da Turma CAAvO 76 na Aviação Naval, com a entrega de uma placa comemorativa.

Outro momento de destaque foi a homenagem aos Oficiais e Praças da Aviação Naval que faleceram em serviço, realizada por meio do Toque de Silêncio

110 anos da aviação naval
110 anos da aviação naval Foto: Marinha do Brasil

Uma capacidade construída ao longo de gerações

A história da Aviação Naval brasileira é marcada por interrupções, reconstruções e mudanças tecnológicas.

A estrutura criada em 1916 passou por uma primeira fase até 1941, foi retomada a partir de 1952 e atravessou diferentes ciclos de desenvolvimento, incluindo a operação de helicópteros, a retomada das aeronaves de asa fixa e, mais recentemente, a incorporação de sistemas remotamente pilotados. 

Hoje, a Aviação Naval integra diferentes áreas de atuação da Marinha, participando de exercícios, operações embarcadas, missões de apoio, atividades de hidrografia, operações antárticas e ações de busca e salvamento. 

Ao completar 110 anos, a Aviação Naval não celebra apenas seu passado.

Sua trajetória mostra como uma capacidade criada no início da aviação militar brasileira foi sendo reorganizada e ampliada para acompanhar as necessidades do Poder Naval.

Dos primeiros aviadores navais aos SH-16 Seahawk e aos sistemas remotamente pilotados, a história da Aviação Naval é também a história da adaptação da Marinha às transformações do ambiente operacional e tecnológico.

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Créditos

Fonte principal: Comando da Força Aeronaval / Marinha do Brasil. 

Fontes complementares: Acervo Arquivístico da Marinha do Brasil e Comando da Força Aeronaval. 

Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino — Zona de Manobra.

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