R/V Atlantic Explorer durante operação no mar

Marinha autoriza navio de pesquisa dos EUA a realizar campanha na Plataforma Amazônica

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Atlantic Explorer realizará pesquisa científica em Águas Jurisdicionais Brasileiras entre 3 e 13 de outubro, com acompanhamento de uma oficial da Marinha do Brasil

A Marinha do Brasil autorizou o Navio de Pesquisa Oceanográfica Atlantic Explorer, de bandeira estadunidense, a realizar atividades de pesquisa científica em Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB). A autorização foi concedida pela Portaria nº 274/EMA, de 25 de setembro de 2026, e é válida para o período de 3 a 13 de outubro de 2026.

A campanha está vinculada ao Projeto Científico F2026-012-NOPP Amazon, cujo propósito é medir a geração e o decaimento de marés internas na Plataforma Amazônica.

Pesquisa será realizada na Plataforma Amazônica

De acordo com a Portaria, o cruzeiro oceanográfico deverá ser realizado conforme a derrota previamente apresentada à Marinha do Brasil.

O navio também deverá aderir ao Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo, conforme estabelecido pela NORMAM-204/DPC, que trata do tráfego e da permanência de embarcações em Águas Jurisdicionais Brasileiras.

Qualquer alteração na derrota prevista deverá ser submetida à apreciação da Marinha do Brasil.

A campanha será realizada sob responsabilidade da Universidade de São Paulo (USP) como instituição brasileira responsável pela atividade, cabendo à universidade buscar as autorizações legais eventualmente exigidas pelos órgãos de fiscalização e controle competentes.

Atlantic Explorer
Atlantic Explorer navegando em direção ao mar. Foto: Andrew Kirkpatrick.

Oficial da Marinha acompanhará as atividades

A Portaria determina que o Atlantic Explorer tenha a bordo uma oficial da Marinha do Brasil durante a realização da campanha.

A oficial deverá receber todas as facilidades necessárias ao exercício da fiscalização, incluindo amplo e irrestrito acesso aos espaços, equipamentos, instrumentos e registros de bordo.

A fiscalização permitirá verificar o cumprimento das condições estabelecidas na autorização concedida pela Marinha.

A oficial também poderá impedir a realização de pesquisas, investigações científicas, coleta de dados, informações ou amostras que sejam realizadas fora do período autorizado ou que não estejam de acordo com os documentos previamente apresentados à Marinha.

A instituição estrangeira responsável pela pesquisa deverá providenciar as passagens aéreas, hospedagem, alimentação e transporte necessários para a atuação da oficial fiscal.

Dados e resultados deverão ser encaminhados à DHN

Outro requisito estabelecido pela Portaria é o fornecimento dos resultados da campanha à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN).

A instituição estrangeira responsável deverá fornecer à Diretoria os dados, informações e resultados obtidos pela pesquisa, dentro dos prazos previstos no Decreto nº 96.000/1988.

A remessa deverá observar ainda os aspectos técnicos e de documentação estabelecidos no anexo da própria Portaria.

Atlantic Explorer é navio especializado em pesquisa oceanográfica

O R/V Atlantic Explorer é um navio de pesquisa oceanográfica de uso geral operado pelo Bermuda Institute of Ocean Sciences (BIOS), unidade da Arizona State University.

Segundo o BIOS, a embarcação possui 170 pés de comprimento e capacidade para transportar uma tripulação de até 12 pessoas e uma equipe científica de até 22 pesquisadores, estudantes e técnicos. O navio dispõe de laboratórios e equipamentos voltados a diferentes atividades de pesquisa oceanográfica.

Entre suas capacidades estão o lançamento e recolhimento de instrumentação oceanográfica, operações com equipamentos CTD, coleta de amostras e utilização de perfiladores acústicos de correntes, entre outros recursos científicos.

Essas informações dizem respeito às características gerais da embarcação e não especificamente aos equipamentos que serão empregados na campanha autorizada pela Marinha do Brasil.

Portaria estabelece medidas de proteção ambiental

A autorização também estabelece uma restrição específica para o posicionamento dos equipamentos utilizados durante a pesquisa.

O Atlantic Explorer não poderá posicionar ou ancorar sensores sobre estruturas biogênicas, incluindo corais de águas profundas ou bancos de rodolitos.

Antes do posicionamento dos sensores, o navio deverá realizar uma varredura prévia para garantir que os equipamentos sejam instalados sem causar danos ambientais.

Autorização é válida até 13 de outubro

A autorização concedida pela Marinha do Brasil é válida entre 3 e 13 de outubro de 2026.

Durante esse período, o Atlantic Explorer deverá cumprir a derrota apresentada previamente e observar as condições estabelecidas na Portaria nº 274/EMA.

O descumprimento das determinações poderá provocar o cancelamento automático da autorização, além da responsabilização da entidade e dos responsáveis pelos prejuízos causados. A Portaria também prevê que o Governo Brasileiro poderá recusar futuras solicitações de pesquisas em Águas Jurisdicionais Brasileiras.

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Créditos

Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino – Zona de Manobra
Fonte: Diário Oficial da União – Portaria nº 274/EMA, de 25 de setembro de 2026
Informações técnicas do navio: Bermuda Institute of Ocean Sciences (BIOS) / Arizona State University

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