Procedimento realizado em Itacuruçá avaliou a estanqueidade do casco, o comportamento da embarcação na água e sistemas de bordo antes das próximas etapas da campanha de testes
O submarino Almirante Karam concluiu sua primeira imersão estática na área marítima de Itacuruçá, nas proximidades do Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. O procedimento representa uma nova etapa na campanha de testes do quarto submarino convencional da Classe Riachuelo, construído no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).
Durante a imersão estática, realizada sem o emprego da propulsão, foram avaliadas a estanqueidade do casco, as condições de equilíbrio da embarcação e o funcionamento dos sistemas de bordo.
Como funciona a imersão estática
A imersão estática é uma etapa importante antes do avanço para os testes de navegação e de desempenho do submarino. O procedimento permite avaliar o comportamento da embarcação na água e verificar se as condições observadas estão de acordo com os parâmetros previstos para essa fase dos testes.
Durante o procedimento, a água entra nos tanques de lastro por meio da abertura dos suspiros, permitindo que a embarcação altere sua condição de flutuabilidade. Também são realizados deslocamentos de pesos a bordo para avaliar as inclinações transversal e longitudinal e observar como essas alterações influenciam o equilíbrio do submarino.
Os dados obtidos permitem verificar o comportamento real da embarcação na água, além de auxiliar na determinação do deslocamento e das condições de equilíbrio. Essas informações são utilizadas para compreender as características apresentadas pelo submarino durante a imersão e fornecer dados para o prosseguimento da campanha de testes.
A avaliação também possibilita comparar os resultados obtidos durante o teste com os cálculos realizados ainda na fase de projeto. Como cada submarino pode apresentar pequenas diferenças na distribuição de pesos e equipamentos, a análise individual de cada unidade é necessária para verificar suas condições específicas de equilíbrio e comportamento na água.

Próximas etapas de testes do Almirante Karam
Com a conclusão da imersão estática, o Almirante Karam seguirá para novas fases de sua campanha de testes.
Entre os próximos procedimentos estão a navegação na superfície e a imersão dinâmica, quando serão avaliados diferentes sistemas e capacidades do submarino.
A campanha deverá incluir testes relacionados aos lemes, sistema de propulsão, navegação, comunicações e equipamentos de detecção. Em etapas posteriores, também estão previstas avaliações em maiores profundidades e testes dos sistemas de armas.
Essas fases são necessárias para verificar o desempenho do submarino antes de sua entrega ao setor operativo da Marinha do Brasil.

Quarto submarino da Classe Riachuelo
O Almirante Karam é o quarto submarino convencional da Classe Riachuelo. A classe é baseada no projeto francês Scorpène, que recebeu adaptações para atender às necessidades operacionais da Marinha do Brasil, incluindo alterações em suas dimensões e maior autonomia em relação ao projeto original.
O desenvolvimento das unidades ocorre dentro do PROSUB, programa que envolve a parceria estratégica entre Brasil e França, incluindo transferência de tecnologia, capacitação de profissionais e desenvolvimento de infraestrutura especializada para a construção e manutenção de submarinos.
O Complexo Naval de Itaguaí já foi utilizado na construção dos submarinos Riachuelo, Humaitá e Tonelero. A experiência acumulada durante a construção e os testes dessas unidades também contribui para o desenvolvimento do Submarino Convencionalmente Armado de Propulsão Nuclear ‘Álvaro Alberto’, projeto que integra o PROSUB.

Entrega prevista para 2027
Após a conclusão das diferentes etapas de testes e avaliações, a previsão da Marinha do Brasil é que o Almirante Karam seja entregue ao setor operativo no segundo semestre de 2027.
Até lá, o submarino ainda deverá passar por uma sequência de verificações destinadas a validar seus sistemas, desempenho e comportamento operacional.
A primeira imersão estática, portanto, não representa a conclusão da campanha de testes, mas marca uma etapa importante no processo de preparação do submarino para as fases seguintes.

Leia também
CRÉDITOS
Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino – Zona de Manobra
Fonte: Agência Marinha de Notícias – Marinha do Brasil

