Demonstração no CASNAV apresentou ao Exército uma tecnologia capaz de converter meios navais convencionais em embarcações não tripuladas
O PRISMA, sistema desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), foi apresentado ao Exército Brasileiro durante uma visita técnica realizada em 16 de setembro de 2026. A tecnologia está sendo avaliada quanto ao seu potencial emprego em missões de vigilância e reconhecimento na malha fluvial da Região Norte.
O PRISMA — Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos é uma tecnologia desenvolvida pela Marinha do Brasil para converter meios navais convencionais em embarcações não tripuladas. Durante a visita, o CASNAV apresentou a arquitetura do sistema e realizou uma demonstração prática de suas capacidades.
Demonstração apresentou operação autônoma e controle remoto
A atividade contou com uma Estação Remota de Controle (ERC) Móvel, instalada em uma van adaptada para abrigar os consoles de operação do sistema.
Durante a demonstração, a embarcação inicialmente operou de forma autônoma. Na sequência, o General de Brigada Pablo José Lira de Almeida, Diretor de Material de Engenharia do Exército Brasileiro, assumiu o comando da embarcação por meio da interface de controle remoto.
A atividade permitiu acompanhar diretamente a resposta da embarcação aos comandos enviados a partir da estação de controle.
A demonstração evidencia uma das características centrais do PRISMA: a possibilidade de operar uma embarcação sem a presença de tripulantes a bordo, utilizando recursos de autonomia e controle remoto.

Tecnologia desenvolvida pelo CASNAV
O PRISMA foi concebido pelo CASNAV como uma plataforma destinada a permitir a transformação de meios navais convencionais em embarcações não tripuladas.
A tecnologia integra os recursos necessários para que a embarcação possa ser acompanhada e controlada a partir de uma estrutura remota, ampliando as possibilidades de emprego de veículos de superfície não tripulados.
Segundo o CASNAV, a solução possui potencial para viabilizar missões em ambientes de risco sem a exposição de tripulantes, uma capacidade que, de acordo com o Centro, já foi validada em operações da Marinha.
Possível emprego na malha fluvial da Região Norte
O interesse apresentado durante a visita está relacionado à possibilidade de utilização do PRISMA em missões de vigilância e reconhecimento ao longo da malha fluvial da Região Norte.
A extensão da rede hidrográfica da região cria diferentes desafios para atividades de vigilância e reconhecimento. Nesse contexto, sistemas não tripulados podem oferecer uma alternativa tecnológica para determinadas missões nas quais a presença permanente de uma tripulação embarcada não seja necessária.
Entretanto, a possibilidade de emprego pelo Exército ainda está em fase de avaliação.
A informação divulgada pelo CASNAV não anuncia aquisição, incorporação ou decisão de emprego operacional do PRISMA pelo Exército Brasileiro. O que foi confirmado é a apresentação da tecnologia, a demonstração prática e a avaliação de seu potencial para esse tipo de missão.
Estação Remota de Controle amplia as possibilidades do sistema
A Estação Remota de Controle Móvel apresentada durante a visita concentra os consoles utilizados para acompanhar e controlar a embarcação.
A estrutura permite que a operação seja realizada a partir de uma posição remota, mantendo o operador fora da embarcação.
Na demonstração realizada no CASNAV, essa capacidade foi apresentada de forma prática: depois de operar autonomamente, a embarcação passou a receber comandos diretamente do operador por meio da interface de controle remoto.
A combinação entre autonomia e controle remoto permite que diferentes níveis de intervenção humana sejam empregados de acordo com as características da missão.

PRISMA amplia o desenvolvimento de sistemas autônomos no Brasil
A apresentação ao Exército também demonstra a evolução de uma tecnologia desenvolvida dentro da estrutura de pesquisa e desenvolvimento da Marinha.
O CASNAV mantém o PRISMA entre suas soluções tecnológicas voltadas aos sistemas marítimos autônomos, ao lado de outros projetos relacionados à automação, comando e controle e tecnologias aplicadas ao ambiente naval.
A possibilidade de utilização da plataforma em diferentes ambientes também amplia o campo de aplicação de tecnologias nacionais de sistemas não tripulados.
No caso da Região Norte, a avaliação está relacionada especificamente às características da malha fluvial e às necessidades de vigilância e reconhecimento consideradas pelo Exército.
Tecnologia nacional e Base Industrial de Defesa
Além da aplicação operacional, o CASNAV destaca o caráter tecnológico e estratégico do projeto.
Segundo o Centro, a iniciativa busca nacionalizar o desenvolvimento tecnológico, reduzir a dependência de sistemas estrangeiros e contribuir para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e para o aumento da consciência situacional das Forças Armadas em território nacional.
O desenvolvimento de plataformas desse tipo envolve diferentes áreas tecnológicas, incluindo sistemas de controle, comunicações, automação e operação remota.
Esse conjunto de capacidades é parte do processo de desenvolvimento de sistemas autônomos nacionais para aplicações de Defesa.
Marinha apresenta tecnologia ao Exército
A visita técnica realizada em setembro aproxima duas estruturas de pesquisa, desenvolvimento e emprego tecnológico das Forças Armadas em torno de uma mesma solução.
Para a Marinha, o PRISMA representa uma capacidade voltada à operação de meios não tripulados. Para o Exército, a demonstração permitiu avaliar se essa arquitetura tecnológica pode atender a necessidades relacionadas à vigilância e ao reconhecimento em ambiente fluvial.
Ainda não há decisão divulgada sobre eventual emprego do sistema pelo Exército.
O próximo passo dependerá das avaliações realizadas e dos requisitos que eventualmente sejam estabelecidos para uma aplicação na Região Norte.
Sistemas não tripulados ganham espaço na Defesa
A demonstração do PRISMA ao Exército ocorre em um momento de expansão das pesquisas brasileiras relacionadas a sistemas autônomos e não tripulados.
No caso da Marinha, o CASNAV vem trabalhando no desenvolvimento de tecnologias destinadas a ampliar a capacidade de operação remota e autônoma de veículos de superfície.
A possibilidade de adaptar essas tecnologias a diferentes necessidades das Forças Armadas mostra como os sistemas não tripulados podem ultrapassar o conceito de uma plataforma específica e passar a funcionar como arquiteturas tecnológicas aplicáveis a diferentes meios e missões.
No caso do PRISMA, porém, a aplicação na Região Norte permanece como uma possibilidade em avaliação, e não como uma capacidade já incorporada pelo Exército.
O que é o PRISMA?
PRISMA — Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos
- Desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV);
- Permite converter meios navais convencionais em embarcações não tripuladas;
- Pode operar com autonomia ou por controle remoto;
- Utiliza uma Estação Remota de Controle (ERC) Móvel;
- Foi apresentado ao Exército em demonstração realizada no CASNAV;
- Seu potencial emprego em vigilância e reconhecimento na malha fluvial da Região Norte está sendo avaliado.
Serviço
| Item | Informação |
|---|---|
| Sistema | PRISMA — Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos |
| Instituição responsável pelo desenvolvimento | Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV) |
| Força que avaliou a tecnologia | Exército Brasileiro |
| Visita técnica | 16 de setembro de 2026 |
| Local | Centro de Análises de Sistemas Navais — CASNAV |
| Possível aplicação avaliada | Vigilância e reconhecimento na malha fluvial da Região Norte |
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Créditos
Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino – Zona de Manobra
Fonte: Centro de Análises de Sistemas Navais – Marinha do Brasil

