Documentos publicados no Diário Oficial da União revelam novos movimentos da empresa em projetos ligados ao setor nuclear e à ampliação de sua atuação estratégica
A Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (AMAZUL) avançou em duas frentes estratégicas relacionadas à sua atuação no setor nuclear, conforme informações registradas nas Atas nº 151 e nº 152 do Conselho de Administração, publicadas nesta terça-feira (8) no Diário Oficial da União.
Os documentos, referentes a reuniões realizadas em 29 de julho e 13 de agosto, respectivamente, revelam desde a participação da empresa na estruturação da capacidade industrial para fabricação de ultracentrífugas até a autorização para integrar um consórcio que pretende participar de uma proposta promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
AMAZUL passa a participar da industrialização das ultracentrífugas
Na Ata nº 151, a AMAZUL informa que iniciou uma nova etapa de sua atuação ao passar a participar da gestão do processo de industrialização da fabricação das ultracentrífugas, atividade atualmente conduzida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).
Segundo o documento, a iniciativa marca o início da estruturação da capacidade industrial necessária à fabricação das ultracentrífugas. Para conduzir essa transição, está sendo criado o Núcleo de Implantação da Industrialização das Ultracentrífugas (NIUCT).
A própria AMAZUL classifica a mudança como uma nova etapa de sua atuação e afirma que ela amplia seu papel estratégico no Programa Nuclear Brasileiro.
A ata, entretanto, não apresenta informações sobre quantidade de equipamentos, capacidade de produção ou cronograma para a fabricação das ultracentrífugas. Portanto, esses aspectos não podem ser antecipados a partir do documento.

Nova oportunidade envolve AMAZUL, FGV e BNDES
A Ata nº 152, referente a uma reunião extraordinária realizada em 13 de agosto, trata de outra oportunidade estratégica.
O Conselho de Administração autorizou, por unanimidade, a AMAZUL a celebrar um Termo de Compromisso de Constituição de Consórcio com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), na condição de líder, e o escritório Motta Fernandes Advogados.
A intenção é participar da Request for Proposal (RFP) nº 008/2026, promovida pelo BNDES. A ata informa que a oportunidade possui dimensão financeira estimada em aproximadamente R$ 8,5 milhões.
Apesar da autorização, o processo ainda está em uma etapa inicial. A AMAZUL informa que a proposta será submetida à avaliação do BNDES e que, caso seja aprovada, a empresa retornará ao Conselho de Administração com as informações necessárias para a formalização da parceria e estruturação do consórcio.
O documento também não detalha o objeto específico da RFP nº 008/2026. Por isso, não é possível afirmar, com base apenas na Ata nº 152, qual será o empreendimento ou serviço contratado.
Dois movimentos estratégicos da AMAZUL
Embora tratem de assuntos diferentes, as duas atas mostram movimentos de ampliação da atuação da AMAZUL em áreas de interesse estratégico.
De um lado, a empresa passa a participar da gestão da industrialização das ultracentrífugas, com a criação de uma estrutura específica para apoiar essa transição. De outro, busca participar de uma nova oportunidade por meio de um consórcio envolvendo a FGV e o BNDES.
Os registros também reforçam a atuação da AMAZUL em atividades relacionadas ao setor nuclear e ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas consideradas estratégicas para o País.
Microrreator Nuclear também avançou
As novas informações aparecem na sequência de uma reportagem publicada pelo Zona de Manobra sobre outro movimento da AMAZUL no setor nuclear..
Na semana passada, mostramos que a empresa havia avançado nas tratativas relacionadas ao projeto do Microrreator Nuclear, desenvolvido em conjunto com a Diretoria de Desenvolvimento Nuclear da Marinha (DDNM). Na ocasião, o registro da empresa apontava para a continuidade dos estudos técnicos e das atividades relacionadas à análise de segurança do projeto.
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Créditos
Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino
Fonte: Diário Oficial da União — Atas nº 151, de 29 de julho de 2026, e nº 152, de 13 de agosto de 2026.

