Conhecido como Batalhão Tonelero, unidade do Corpo de Fuzileiros Navais foi criada em 1971 e mantém capacidades voltadas ao emprego em operações especiais de interesse da Marinha
O Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (BtlOpEspFuzNav) completa 55 anos nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026. Conhecida como Batalhão Tonelero, a unidade foi criada em 9 de setembro de 1971, por meio do Aviso Ministerial nº 0751, e ao longo de sua história passou por diferentes fases de organização e aperfeiçoamento de suas capacidades operacionais.
A criação do Batalhão ocorreu em um contexto no qual o Corpo de Fuzileiros Navais buscava estruturar uma unidade voltada tanto para o emprego em situações de guerra de guerrilha quanto para uma possível organização de infantaria. Inicialmente, o Batalhão contava com uma Companhia de Comando e Serviços e uma Companhia de Operações Especiais.
Desde os primeiros anos, entretanto, a unidade passou a desenvolver atividades relacionadas às Operações Especiais. Em 1972, foi formada a primeira turma de oficiais oriundos da Escola Naval no então Curso de Contra-guerrilha (ConGue), marco que integra o processo de evolução da formação especializada dos Fuzileiros Navais.
Da formação de Comandos Anfíbios às operações especiais
Ao longo das décadas, a formação relacionada às operações especiais sofreu mudanças em sua estrutura e denominação. O curso passou pelo Curso de Adestramento de Comandos Anfíbios, pelo Curso Especial de Comandos Anfíbios e, posteriormente, pela divisão entre o Curso Especial de Comandos Anfíbios (CEsComAnf) e o Curso Especial de Operações Especiais (CEsOpEsp).
A partir de 1998, a preparação dos Comandos Anfíbios passou a ser realizada em um único curso, o CEsComAnf.
Outro momento importante ocorreu na década de 1990. Em 1991, a Companhia de Reconhecimento Anfíbio foi transferida para o Batalhão. Em 1995, o Batalhão Tonelero passou à subordinação direta do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra (ComFFE). No ano seguinte, em 26 de março de 1996, a Companhia de Reconhecimento Terrestre também foi transferida para a unidade, reunindo no BtlOpEspFuzNav as atividades de operações especiais de Fuzileiros Navais.

Capacidades do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais
Atualmente, segundo o Acervo Arquivístico da Marinha, o BtlOpEspFuzNav está organizado em uma Companhia de Comando e Serviços e três Companhias de Operações Especiais.
Essa estrutura permite a organização de grupamentos operativos e destacamentos por tarefas para o cumprimento de missões de interesse da Marinha no contexto das operações especiais, incluindo ações relacionadas à retomada de instalações e ao resgate de pessoal de interesse da Força.
Entre as atividades atribuídas à unidade estão ações de comandos, reconhecimento de praias e itinerários, reconhecimento de pontos críticos, áreas de desembarque e pouso, operação de postos de vigilância, emprego de sensores de vigilância terrestre e apoio a operações ribeirinhas. Essas capacidades contribuem diretamente para o preparo e a aplicação do Poder Naval.
A própria Marinha descreve o Batalhão Tonelero como estruturado para atuar em ambientes hostis, com capacidades relacionadas à destruição ou neutralização de objetivos relevantes, captura ou resgate de pessoal ou material, retomada de instalações, obtenção de informações, despistamento e produção de efeitos psicológicos.

55 anos de evolução operacional
A trajetória do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais acompanha parte importante da evolução das capacidades de operações especiais do Corpo de Fuzileiros Navais.
Em 2018, por exemplo, o Batalhão Tonelero recebeu a Ordem do Mérito Naval, na categoria instituição, em reconhecimento aos serviços prestados à Marinha. Na ocasião, a Força destacou sua participação em diferentes missões, incluindo operações de Garantia da Lei e da Ordem, missões de paz das Nações Unidas e grandes eventos realizados no Brasil.
Mais recentemente, a unidade também aparece associada ao desenvolvimento de novas capacidades tecnológicas. Em 2026, o CASNAV, em conjunto com o Batalhão Tonelero, apresentou o desenvolvimento de um Simulador de Navegação em Paraquedas (SNP) nacional destinado ao treinamento e planejamento de operações especiais que empregam o salto livre como método de infiltração. A iniciativa busca ampliar as possibilidades de treinamento e otimizar a utilização de saltos reais.

Ao completar 55 anos, o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais permanece integrado à estrutura da Força de Fuzileiros da Esquadra e representa uma das capacidades especializadas empregadas pela Marinha do Brasil no espectro das operações especiais.
Sua história, marcada pela evolução da formação de Comandos Anfíbios, pelo reconhecimento especializado e pelo desenvolvimento de novas capacidades, está diretamente ligada à preparação do Corpo de Fuzileiros Navais para atuar em diferentes cenários de interesse do Poder Naval brasileiro.

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Créditos
Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino – Zona de Manobra
Fontes: Acervo Arquivístico da Marinha do Brasil e Agência Marinha de Notícias, Revista O Anfíbio / Marinha do Brasil. Imagem restaurada e aprimorada por IA pelo Zona de Manobra.

