Fraterno XXXIX termina com exercícios no Atlântico Sul e prepara próxima edição no Brasil, a Marinha do Brasil e Armada Argentina encerram fase operativa após treinamentos de guerra antissubmarino, defesa antiaérea, operações aéreas e reabastecimento no mar; Fraterno XL será realizado no Brasil
A fase operativa do Exercício Combinado Fraterno XXXIX, realizado pela Marinha do Brasil e pela Armada Argentina, foi concluída com o cumprimento das atividades previstas no mar. A etapa reuniu diferentes capacidades navais e consolidou procedimentos de operação conjunta entre as duas forças no Atlântico Sul.
O encerramento da fase operativa ocorreu antes da reunião final de crítica realizada nesta segunda-feira, 24 de agosto, na Escola de Submarinos, na Base Naval Mar del Plata. O encontro reuniu representantes dos grupos de tarefas brasileiro e argentino para avaliar as atividades realizadas durante o exercício.
Exercícios reuniram diferentes capacidades navais
Durante os dias de mar, as unidades participantes realizaram uma série de atividades voltadas ao adestramento e à interoperabilidade.
O programa operacional envolveu exercícios de armas, vigilância marítima, defesa antiaérea, operações aéreas, manobras táticas, reabastecimento no mar e atividades de guerra antissubmarino, colocando diferentes meios das duas Marinhas em um mesmo cenário operacional.
A presença de diferentes plataformas permitiu que as forças treinassem procedimentos de comunicação, coordenação e emprego combinado de capacidades de superfície, submarinas e aeronaval.
Entre os meios brasileiros empregados estavam as fragatas Tamandaré (F200) e União (F45), o submarino Humaitá (S41) e o Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120). A participação brasileira foi integrada ao Grupo de Tarefas argentino durante a fase marítima.

Guerra antissubmarino esteve entre os principais treinamentos
Um dos pontos de maior relevância operacional foi o treinamento de guerra antissubmarino, que colocou unidades de superfície argentinas em adestramento contra o submarino brasileiro Humaitá.
A atividade permitiu às tripulações praticar procedimentos de detecção, acompanhamento e resposta diante de uma ameaça submarina, enquanto o Humaitá atuou dentro do cenário previsto para o exercício.
A utilização de um submarino brasileiro nesse tipo de treinamento amplia a complexidade do exercício e permite que as duas forças trabalhem com uma situação operacional mais próxima dos desafios encontrados em uma operação naval real.

Operações aéreas ampliaram o cenário de treinamento
A fase marítima também contou com a participação da Aviação Naval Argentina, empregando aeronaves e helicópteros em diferentes atividades.
Entre os meios empregados estavam o P-3C Orion, helicópteros Sea King e aeronaves Beechcraft, integrados às atividades desenvolvidas pelas unidades de superfície.
A participação da aviação permitiu ampliar o ambiente operacional e integrar aeronaves, navios e sistemas de comando e controle em diferentes situações de adestramento.
Reabastecimento e outras atividades no mar
Outro componente do exercício foi o treinamento de reabastecimento no mar, atividade que exige coordenação precisa entre as unidades envolvidas.
Também foram realizadas atividades relacionadas à vigilância marítima, defesa antiaérea, emprego de armas e manobras táticas.
A combinação dessas atividades permitiu às tripulações praticar procedimentos que normalmente precisam ser executados de forma coordenada durante operações navais.
Meteorologia não impediu o cumprimento da missão
Durante a reunião final de crítica, o comandante do Grupo de Tarefas argentino, Capitão de Navio Christian David Corona, destacou que as condições meteorológicas representaram um desafio durante o exercício.
Segundo ele, porém, a meteorologia característica desta época do ano não impediu o cumprimento da missão, e os objetivos estabelecidos foram alcançados.
O comandante do Grupo de Tarefas brasileiro, Contra-Almirante Carlos Marcelo Fernandes Considera, também destacou a importância da experiência conjunta, afirmando que operar em conjunto permite às duas Marinhas compreender melhor seus procedimentos e fortalecer sua capacidade de atuação combinada.
Fraterno XXXIX abre caminho para a próxima edição
O encerramento do Fraterno XXXIX já abriu espaço para o planejamento da próxima edição.
Durante a reunião final realizada em Mar del Plata, os comandantes dos Grupos de Tarefas brasileiro e argentino assinaram as atas de acordo relacionadas à preparação e coordenação do próximo exercício combinado.
A próxima edição será o Fraterno XL, a 40ª edição do exercício, e terá a República Federativa do Brasil como sede.
A definição representa a continuidade do calendário de exercícios combinados entre as duas Marinhas e inicia antecipadamente o processo de planejamento da próxima atividade.

O que muda para o Fraterno XL
A realização do próximo exercício no Brasil permitirá que a dinâmica de planejamento e execução seja conduzida a partir de instalações e áreas marítimas brasileiras.
Embora os detalhes operacionais do Fraterno XL ainda não tenham sido divulgados, a assinatura das atas nesta segunda-feira demonstra que o planejamento da próxima edição já começou oficialmente.
A experiência acumulada durante o Fraterno XXXIX servirá como referência para a preparação da 40ª edição, especialmente nos procedimentos de coordenação, comunicações e emprego conjunto das unidades.
O Fraterno XXXIX chega ao fim
Com o encerramento da fase operativa e a realização da reunião final de crítica, o Fraterno XXXIX conclui mais uma etapa da cooperação naval entre Brasil e Argentina.
O exercício permitiu reunir fragatas, submarino, navio de socorro submarino, aeronaves e helicópteros, além de diferentes capacidades de superfície, submarinas e aeronaval em um mesmo cenário de treinamento.
Mais importante que a quantidade de meios empregados, a atividade serviu para testar procedimentos, aperfeiçoar a interoperabilidade e preparar as tripulações para operações combinadas.
E, enquanto o Fraterno XXXIX chega ao fim na Argentina, o próximo capítulo da cooperação naval já começa a ser planejado: o Fraterno XL será realizado no Brasil.
Leia também
Fraterno XXXIX: Brasil e Argentina ampliam cooperação naval
Na reportagem anterior do Zona de Manobra, mostramos em detalhes os meios brasileiros e argentinos empregados no exercício, incluindo as fragatas Tamandaré e União, o submarino Humaitá, o Guillobel, a participação da Aviação Naval e o intercâmbio de militares durante a operação.
Créditos
Texto: Jhonanta Marcelino | Zona de Manobra
Fotos: Armada Argentina
Fontes: Armada Argentina

