O Navio-Escola ROU 20 Capitán Miranda, da Armada da República Oriental do Uruguai, realiza em setembro uma visita a portos brasileiros, com passagem por Fernando de Noronha (PE) e Salvador (BA). A presença da embarcação foi oficialmente autorizada pela Marinha do Brasil por meio do Despacho Decisório MB nº 35, de 1º de setembro de 2026, publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (3).
De acordo com o documento, assinado pelo Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada, Vice-Almirante João Alberto de Araújo Lampert, o navio permanecerá em Fernando de Noronha entre 3 e 6 de setembro. Em seguida, seguirá para Salvador, onde a visita está autorizada de 8 a 12 de setembro.
A passagem ocorre durante o 36º Viagem de Instrução do Capitán Miranda, que deixou o porto de Montevidéu em abril com uma programação internacional de 168 dias. Segundo a Armada uruguaia, a missão reúne 81 tripulantes e prevê a visita a 13 portos de seis países.
Um navio de instrução com quase um século de história
Apesar de atualmente atuar como navio-escola, o Capitán Miranda possui uma trajetória que começou muito antes de sua transformação para a formação de oficiais.
Construído em 1930, em Cádiz, na Espanha, o navio foi originalmente concebido como uma unidade hidrográfica. Durante mais de quatro décadas, realizou missões relacionadas ao levantamento hidrográfico e colaborou com trabalhos de cartografia no Rio da Prata e em águas oceânicas.
Em 1977, a Armada uruguaia iniciou a transformação da embarcação em um veleiro-escola. O projeto incluiu a instalação de três mastros, novo velame, modificações internas e atualização de seus sistemas. O primeiro cruzeiro de instrução nessa nova configuração ocorreu em outubro de 1978.
Desde então, o navio passou a desempenhar um papel importante na formação dos oficiais da Armada Nacional do Uruguai.
Formação de oficiais no mar
A principal missão do Capitán Miranda é complementar a formação dos oficiais que deixam a Escola Naval uruguaia. A bordo, os guardas-marinhas têm contato direto com a rotina de navegação e com as condições encontradas durante longos períodos no mar.
A própria Armada uruguaia destaca que a experiência adquirida durante as viagens contribui para a formação profissional e para o desenvolvimento de capacidades relacionadas à tomada de decisões, além de proporcionar contato com diferentes culturas e outras forças navais.
A viagem de 2026 também reúne, além dos militares uruguaios, convidados especiais e representantes de organismos do Estado e de marinhas estrangeiras. Segundo a Armada, dos 81 integrantes da tripulação, 13 são convidados especiais.
Uma “embaixada flutuante” do Uruguai
Além da função de treinamento, o Capitán Miranda exerce uma dimensão diplomática durante suas viagens internacionais.
A Presidência do Uruguai descreve o navio como instrumento de comunicação e diplomacia, enquanto a própria página institucional do Capitán Miranda o apresenta como uma espécie de embaixada flutuante, levando uma representação do Uruguai aos países visitados.
Nesse contexto, as escalas em portos estrangeiros permitem estreitar contatos entre instituições navais, autoridades e sociedades dos países visitados. A passagem pelo Brasil se insere, portanto, tanto na formação dos futuros oficiais uruguaios quanto na manutenção dos vínculos entre as duas Marinhas.
Fernando de Noronha e Salvador no roteiro de 2026
A primeira escala brasileira autorizada pelo Estado-Maior da Armada nesta etapa é Fernando de Noronha, onde o Capitán Miranda permanece de 3 a 6 de setembro.
Depois, a embarcação segue para Salvador, com chegada prevista para 8 de setembro. A programação portuária da Companhia das Docas do Estado da Bahia também registra o Capitán Miranda no Terminal de Passageiros do Porto de Salvador, com chegada prevista para o dia 8 e saída no dia 13.
A visita ocorre dentro de uma longa viagem de instrução iniciada em Montevidéu. A programação divulgada pela Armada uruguaia inclui, além do Brasil, escalas no Caribe, México, Estados Unidos e Europa, antes do retorno ao Uruguai em setembro.
A autorização brasileira publicada no DOU demonstra, ainda, como visitas de navios de guerra estrangeiros a portos e águas jurisdicionais brasileiras dependem de autorização formal das autoridades brasileiras, neste caso do Estado-Maior da Armada.
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Créditos
Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino — Zona de Manobra
Fonte: Diário Oficial da União / Estado-Maior da Armada; Armada Nacional do Uruguai
Fotos: Armada Nacional do Uruguai


