O Navio-Varredor Aratu, um dos tradicionais meios da Força de Minagem e Varredura da Marinha do Brasil, será desincorporado do Serviço Ativo da Armada. A decisão foi formalizada pela Portaria nº 213/MB/MD, de 18 de agosto de 2026, publicada nesta quinta-feira (20) no Diário Oficial da União.
O documento, assinado pelo Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, determina a desincorporação do navio e estabelece que seja realizado o desfazimento do casco do ex-Navio-Varredor “Aratu”, conforme a legislação vigente. A medida entra em vigor em 27 de agosto de 2026.
Aratu encerra uma trajetória de 55 anos na Marinha
A história do Navio-Varredor Aratu começou ainda no final da década de 1960. O navio foi encomendado em 2 de abril de 1969 e teve a quilha batida em 17 de setembro daquele ano, no estaleiro Abeking & Rasmussen, em Lemwerder, na então Alemanha Ocidental.
Construído segundo o projeto da classe Schültze, o navio foi lançado ao mar em 27 de maio de 1970. Após realizar provas de cais, provas de mar e períodos de adestramento da tripulação, o Aratu foi oficialmente incorporado à Armada Brasileira em 5 de maio de 1971.
Isso significa que, em 2026, o navio completa aproximadamente 55 anos de serviço na Marinha do Brasil, desde sua incorporação.

Por que o Navio-Varredor Aratu era importante?
Os navios-varredores possuem uma missão bastante específica dentro do Poder Naval: atuar em operações de contramedidas de minagem, contribuindo para manter livres da ameaça de minas as linhas de tráfego marítimo, áreas próximas a portos, terminais, plataformas e possíveis áreas de operação das Forças Navais.
O Aratu fazia parte da classe de navios-varredores desenvolvida para esse tipo de missão. A característica construtiva desses meios estava diretamente relacionada à sua função.
Segundo a Marinha, o Aratu possuía 47,2 metros de comprimento, deslocamento de 253 toneladas e velocidade de até 22 nós, aproximadamente 41 km/h. O navio foi construído com madeira e metal amagnético, uma característica importante para reduzir a possibilidade de ativação de minas de influência magnética durante as operações.

Um navio construído para a guerra de minas
A guerra de minas é uma das áreas mais especializadas do emprego do Poder Naval. Diferentemente de outras atividades navais, as operações de contramedidas de minagem buscam garantir que determinadas áreas marítimas permaneçam navegáveis e seguras diante da possibilidade de existência de artefatos explosivos.
Nesse contexto, os navios-varredores da classe Aratu foram projetados para realizar a varredura contra diferentes tipos de minas, utilizando equipamentos capazes de provocar sua neutralização ou detonação a uma distância segura.
O Aratu, portanto, fez parte durante décadas de uma capacidade especializada da Marinha relacionada à proteção das linhas de comunicação marítimas e das áreas estratégicas do litoral brasileiro.

Aratu recebeu a Ordem do Mérito Naval
A trajetória do navio também foi marcada pelo reconhecimento institucional.
Em 2018, o Navio-Varredor “Aratu” foi condecorado com a Ordem do Mérito Naval, concedida em razão dos bons serviços prestados à Marinha do Brasil. A condecoração foi realizada durante uma cerimônia que contou com a presença do então Secretário-Geral da Marinha, Almirante de Esquadra Liseo Zampronio.
O reconhecimento ocorreu poucos anos antes da atual decisão de retirada do navio do Serviço Ativo da Armada, tornando o registro especialmente significativo dentro da trajetória da embarcação.
O fim de um ciclo
A publicação da Portaria nº 213/MB/MD representa o encerramento de um ciclo para o Navio-Varredor Aratu.
O documento oficial não apenas determina sua retirada do Serviço Ativo da Armada, mas também estabelece o desfazimento do casco do ex-navio, seguindo a legislação aplicável. A medida passa a vigorar em 27 de agosto de 2026.
A decisão ocorre em um momento de transformação da capacidade brasileira de guerra de minas. Em 2026, a Marinha incorporou o Navio Caça-Minas “Amorim do Valle” à Força de Minagem e Varredura, um novo meio destinado a ampliar a capacidade brasileira nessa área. A embarcação utiliza sensores e sistemas não tripulados para detectar, identificar e destruir ameaças de minas.
Dessa forma, a saída de um meio veterano como o Aratu também pode ser observada dentro de um processo mais amplo de transformação e renovação das capacidades de contramedidas de minagem da Marinha.

Uma história que chega ao fim
Depois de mais de cinco décadas, o Navio-Varredor Aratu deixa o Serviço Ativo da Armada. Incorporado em 1971, o navio atravessou diferentes períodos da história da Marinha do Brasil e participou da manutenção de uma capacidade especializada de grande importância para a segurança da navegação e para o emprego das Forças Navais.
Agora, a Portaria nº 213/MB/MD estabelece oficialmente o encerramento de sua trajetória operacional.
Para quem acompanha a história dos meios navais brasileiros, a retirada do Aratu representa mais do que a baixa de uma embarcação: marca o encerramento de um capítulo da história da guerra de minas na Marinha do Brasil e abre espaço para uma nova geração de capacidades destinadas às contramedidas de minagem.
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Fonte oficial
Diário Oficial da União — Portaria nº 213/MB/MD, de 18 de agosto de 2026. Publicada em 20 de agosto de 2026, Seção 1, página 10.
Pesquisa histórica: Acervo Arquivístico da Marinha do Brasil e publicações oficiais da Marinha.
Edição e adaptação: Jhonanta Marcelino — Zona de Manobra.

