Reunião virtual terá participação do Capitão de Mar e Guerra Leonam dos Santos Guimarães e abordará propulsão nuclear, sensores, armamentos, doutrina e a relevância estratégica dos submarinos para o Brasil
Os submarinos estão entre os sistemas navais mais complexos já desenvolvidos. Sua importância não está somente na capacidade de transportar armamentos, mas principalmente na combinação entre permanência submersa, mobilidade, disponibilidade energética e discrição operacional.
É justamente esse universo que será abordado na palestra “Os submarinos nucleares e o seu emprego”, promovida pelo Velhos Amigos de Guerra – VAG Brasília/DF, no dia 18 de setembro de 2026, às 19h30, em formato virtual.
O palestrante será o Capitão de Mar e Guerra Leonam dos Santos Guimarães, oficial da reserva da Marinha e engenheiro com trajetória ligada à área de propulsão nuclear naval.
Para apresentar os principais conceitos que envolvem esse tipo de plataforma, um material visual preparatório da palestra organiza o tema em diferentes blocos, passando pela arquitetura do submarino, propulsão, sensores, sistemas de combate, tripulação, evolução histórica e relevância estratégica para o Brasil. A palestra “Os submarinos nucleares e o seu emprego” também coloca em discussão como essas características influenciam o emprego operacional dessas plataformas.
O que muda quando a propulsão é nuclear?
A principal característica destacada no material é a possibilidade de uma permanência submersa muito prolongada. Essa característica é fundamental para compreender os submarinos nucleares e o seu emprego e as diferenças em relação às plataformas convencionais.
Ao contrário dos submarinos convencionais, cuja operação depende de períodos associados à geração e ao armazenamento de energia, a propulsão nuclear utiliza um reator para produzir energia durante longos períodos.
Isso permite combinar velocidade sustentada, mobilidade estratégica e elevada disponibilidade energética.
A permanência, entretanto, não significa autonomia absoluta. Mesmo com um reator nuclear, a operação continua limitada por fatores como alimentação, manutenção, condições da tripulação e necessidades logísticas.
É justamente essa combinação de capacidades que modifica a forma como o submarino pode ser empregado, ampliando as possibilidades operacionais discutidas na palestra “Os submarinos nucleares e o seu emprego”.
Nem todo submarino nuclear cumpre a mesma missão
Um dos pontos apresentados na síntese é a diferenciação entre as principais categorias de submarinos.
Os SSN são submarinos de ataque com propulsão nuclear, associados a missões como caça, ataque e proteção de forças.
Os SSBN também utilizam propulsão nuclear, mas são destinados ao emprego de mísseis balísticos e estão diretamente relacionados à dissuasão estratégica.
Já os SSGN são submarinos de propulsão nuclear equipados para o emprego de mísseis de cruzeiro, ampliando sua capacidade de ataque e apoio a operações.
O material também apresenta os SS/AIP, mas nesse caso é importante fazer uma distinção: trata-se de uma categoria de submarinos convencionais equipada com propulsão independente de ar (AIP), e não de submarinos nucleares. Sua utilização está mais associada a operações costeiras e regionais.
Uma máquina construída em torno da integração
A complexidade de um submarino nuclear aparece de forma clara quando sua arquitetura é observada internamente.
O material apresenta uma cadeia formada por reator nuclear, gerador de vapor, turbina, eixo propulsor e geração elétrica, integrada aos demais sistemas da plataforma.
Ao mesmo tempo, o submarino precisa acomodar compartimentos, reservas de flutuabilidade, sistemas auxiliares, controle, armas, sensores e equipamentos destinados à sobrevivência da tripulação.
Não existe, portanto, um único sistema responsável pelo desempenho da plataforma.
O resultado operacional depende da integração entre casco, propulsão, sensores, navegação, comunicações, sistemas de combate e tripulação.

O silêncio também é uma capacidade de combate
No ambiente submarino, conhecer o que acontece ao redor sem revelar a própria posição é fundamental.
A apresentação destaca sonares passivos e ativos, sensores de flanco, sonar rebocado, mastros optrônicos e sistemas de navegação inercial.
Os sonares permitem obter informações sobre o ambiente acústico, enquanto os demais sistemas contribuem para navegação, observação e consciência situacional.
Essa capacidade de operar de maneira discreta está diretamente relacionada ao conceito de sobrevivência do submarino.
Em determinadas circunstâncias, não ser detectado pode ser tão importante quanto possuir capacidade de ataque.
Torpedos, mísseis e negação do uso do mar
A capacidade de combate aparece em outro eixo da apresentação.
Entre os sistemas citados estão torpedos pesados, minas navais e mísseis de cruzeiro, dependendo da classe e da configuração da plataforma.
O material relaciona essas capacidades a missões como controle do mar, negação do uso do mar, inteligência e apoio a operações especiais.
Essa característica ajuda a explicar o valor estratégico dos submarinos.
Uma plataforma que pode permanecer submersa por longos períodos, deslocar-se grandes distâncias e atuar sem revelar facilmente sua posição pode impor incerteza ao adversário e ampliar as opções de emprego de uma força naval.
Tripulação, segurança e confiabilidade
A tecnologia, entretanto, não funciona sozinha.
A apresentação dedica um bloco específico à tripulação e à cultura de segurança, destacando seleção e qualificação contínuas, disciplina técnica, integração entre homem e máquina e treinamento intensivo.
Também aparecem três aspectos fundamentais: segurança nuclear, segurança da navegação e confiabilidade operacional.
Em uma plataforma que reúne um sistema nuclear, equipamentos de alta complexidade e uma tripulação operando durante longos períodos em ambiente confinado, procedimentos e treinamento são partes fundamentais do sistema.
Da Guerra Fria ao ambiente multidomínio
O material também apresenta uma linha histórica que começa em 1954, com o USS Nautilus, identificado como o primeiro submarino nuclear.
A evolução passa pela Guerra Fria, período marcado pela expansão das capacidades de dissuasão e pela corrida tecnológica entre grandes potências.
No período pós-Guerra Fria, os submarinos passaram a incorporar novas possibilidades de emprego e, no cenário atual, estão inseridos em um ambiente multidomínio.
A apresentação relaciona essa evolução a conceitos como projeção de poder, operações especiais, guerra em rede e proteção de infraestrutura submarina.
O submarino nuclear e a Amazônia Azul
Para o Brasil, o tema possui uma dimensão particularmente importante.
O material dedica um bloco específico à relevância do submarino nuclear no contexto da Amazônia Azul, relacionando essa capacidade à proteção das linhas de comunicação marítimas, vigilância de áreas marítimas, proteção de infraestruturas críticas offshore, soberania e dissuasão.
Essa discussão também se conecta ao desenvolvimento brasileiro de tecnologia de propulsão nuclear naval.
Nesse contexto, o submarino nuclear não deve ser observado apenas como um navio de combate. Ele representa também um conjunto de conhecimentos científicos, industriais e tecnológicos necessários para dominar uma capacidade extremamente complexa.
É justamente essa combinação entre engenharia, energia nuclear, Poder Naval e estratégia marítima que torna o tema relevante para o Brasil.
A palestra do VAG Brasília promete colocar esses elementos em discussão, oferecendo uma visão sobre como os submarinos nucleares são concebidos, como funcionam e por que continuam sendo plataformas de grande importância estratégica.
Serviço
| INFORMAÇÃO | DETALHES |
|---|---|
| Evento | Reunião virtual do Velhos Amigos de Guerra – VAG Brasília/DF |
| Palestra | Os submarinos nucleares e o seu emprego |
| Data | 18 de setembro de 2026 |
| Horário | 19h30 |
| Palestrante | Capitão de Mar e Guerra Leonam dos Santos Guimarães |
| Formato | Virtual |
| Plataforma | Google Meet |
| Transmissão | Canal do VAG Brasília/DF no YouTube |
Se inscrevra aqui no canal VAG Brasília/DF
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Créditos
Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino – Zona de Manobra
Fonte: VAG Brasília/DF / CMG Leonam dos Santos Guimarães

