Aeronaves remotamente pilotadas foram empregadas pela primeira vez de forma sincronizada diante do público e seguirão para a Operação Formosa
Por Jhonanta Marcelino — Zona de Manobra
O céu de Brasília recebeu uma demonstração inédita de uma das capacidades mais recentes do Corpo de Fuzileiros Navais. Durante o desfile cívico-militar de 7 de Setembro, drones táticos da Marinha do Brasil realizaram movimentos coordenados diante do público que acompanhava a cerimônia na capital federal.
Segundo a Marinha, foi a primeira vez que essas aeronaves foram apresentadas ao público em voo sincronizado. Após a demonstração, os equipamentos permanecerão no Centro-Oeste para participar da Operação Formosa, prevista para este mês, em Goiás.
Drones táticos da Marinha demonstram nova capacidade
Apesar da apresentação inédita durante o desfile, os drones não são uma capacidade recém-adquirida pela Força.
As aeronaves já eram utilizadas pelo Batalhão de Combate Aéreo (BtlCmbAe) desde 2025, ano em que foram adquiridas.
O equipamento empregado é o DJI Matrice 30T Enterprise, plataforma equipada com câmera diurna, câmera termal de alta capacidade e telêmetro laser.
De acordo com as informações divulgadas pela Marinha, o modelo possui autonomia de até 40 minutos de voo e alcance de até 15 quilômetros, além de apresentar desempenho em condições climáticas adversas.

Esquadrão de Drones Táticos
Os equipamentos pertencem ao Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, ativado em 2025 pelo Batalhão de Combate Aéreo, unidade que integra o Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra.
A demonstração em Brasília teve como objetivo apresentar ao público essa capacidade operativa da Marinha.
Segundo o comandante do BtlCmbAe, Capitão de Mar e Guerra (Fuzileiro Naval) Marcos Matta, o conceito envolve a operação coordenada das aeronaves remotamente pilotadas com meios blindados e motorizados, permitindo atuar sobre grandes áreas e executar diferentes tarefas em missões militares ou em apoio à população civil.
Sensores para reconhecimento e observação
O conjunto de sensores instalado no Matrice 30T Enterprise amplia as possibilidades de emprego da plataforma.
A câmera diurna permite a observação convencional, enquanto a câmera termal possibilita a obtenção de imagens por meio da assinatura térmica. O equipamento também conta com telêmetro laser, recurso destinado à medição de distância.
Essas características colocam os drones dentro de uma estrutura de sistemas aéreos remotamente pilotados voltada ao esclarecimento, observação e apoio às operações.
É importante destacar que a nomenclatura oficial do esquadrão contém a expressão “Esclarecimento e Ataque”, porém a matéria da Marinha sobre a demonstração em Brasília não afirma que os DJI Matrice 30T empregados no desfile estejam armados ou tenham realizado ataques.
Drones táticos da Marinha seguem para a Operação Formosa 2026
Depois da apresentação em Brasília, os drones permanecerão no Centro-Oeste para participar da Operação Formosa.
Realizada desde 1988, a operação passou a contar também com a participação do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira em 2021.
A última edição integrou a Operação Atlas, conduzida pelo Ministério da Defesa, e mobilizou cerca de 2.500 militares da Marinha, além de aproximadamente 180 veículos e aeronaves, segundo a Agência Marinha de Notícias.
A presença dos drones na edição de 2026 permite acompanhar uma etapa diferente de seu desenvolvimento: depois de uma demonstração pública de voo coordenado, as aeronaves serão empregadas no contexto de um exercício militar.
Drones táticos da Marinha e a integração com meios terrestres
Um dos aspectos que merece atenção na Operação Formosa é justamente a integração dos sistemas aéreos remotamente pilotados com os meios terrestres do Corpo de Fuzileiros Navais.
A Marinha afirma que o objetivo demonstrado em Brasília foi mostrar a capacidade de operar as aeronaves de forma coordenada com meios blindados e motorizados, abrangendo grandes áreas e múltiplas tarefas.
Para o Zona de Manobra, esse aspecto representa um dos pontos mais interessantes da evolução dos sistemas não tripulados dentro do CFN.
Mais do que a presença de um drone no campo de operações, o desenvolvimento dessa capacidade envolve sensores, operadores, transmissão de informações e integração com as unidades empregadas em terra.
O que esperar dos drones táticos da Marinha em Formosa
A demonstração realizada em Brasília mostra que os sistemas não tripulados passaram a ocupar um espaço específico dentro da estrutura operacional dos Fuzileiros Navais.
Com a ativação do Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque em 2025, a Marinha passou a estruturar formalmente essa capacidade dentro do Batalhão de Combate Aéreo.
Agora, a participação na Operação Formosa 2026 será uma oportunidade para acompanhar como esses sistemas serão empregados em um cenário de exercício militar, especialmente na integração com outros meios da Força de Fuzileiros da Esquadra.
O próximo capítulo dessa evolução estará no terreno de Formosa, onde os drones deixarão o cenário do desfile e passarão a fazer parte de um exercício operacional.
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Créditos
Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino / Zona de Manobra
Fonte: Agência Marinha de Notícias.

