Solução foi desenvolvida para integrar dados dos ambientes terrestre, marítimo, aéreo, cibernético, espacial e de informação; sistema foi testado durante exercício CWIX 2026 da OTAN
Por Jhonanta Marcelino | Zona de Manobra
A Thales apresentou o HexaForce, seu novo sistema de comando e controle (C2) multidomínio desenvolvido com recursos de inteligência artificial para apoiar operações militares em diferentes ambientes. A solução foi projetada para integrar informações provenientes dos domínios terrestre, marítimo, aéreo, cibernético, espacial e de informação, permitindo que forças armadas e coalizões trabalhem a partir de um quadro operacional compartilhado.
Segundo a Thales, o sistema foi desenvolvido para cenários de alta intensidade e utiliza uma arquitetura aberta e interoperável. O HexaForce também foi testado durante o CWIX 2026, exercício de interoperabilidade da OTAN realizado entre junho e julho na Polônia, onde a solução demonstrou sua capacidade de integração com sistemas de comando e controle utilizados por diferentes nações.
Um sistema de comando e controle para diferentes domínios
O conceito do HexaForce está baseado na integração de informações de diferentes ambientes operacionais.
A plataforma foi concebida para conectar recursos das forças armadas e de coalizões, desde os níveis estratégicos até unidades táticas. A Thales afirma que sua arquitetura distribuída foi projetada para manter a operação mesmo em condições de comunicação degradada.
Na prática, a proposta é reunir dados provenientes de diferentes sensores, sistemas e fontes em uma estrutura comum, permitindo que os operadores tenham uma visão mais ampla e atualizada da situação operacional.
Esse modelo é particularmente relevante em operações multidomínio, nas quais uma mesma ação militar pode envolver simultaneamente forças terrestres, aeronaves, navios, sistemas espaciais, redes digitais e estruturas de informação.

Inteligência artificial aplicada ao comando militar
Um dos principais elementos do HexaForce é sua integração com o cortAIx, plataforma de inteligência artificial da Thales que reúne cerca de 800 engenheiros e cientistas de dados especializados.
A empresa informa que o sistema utiliza modelos de linguagem de grande porte (LLMs) e inteligência artificial agêntica para auxiliar diferentes etapas do ciclo operacional.
Entre as capacidades apresentadas estão:
- redução dos ciclos de planejamento;
- ampliação da compreensão do quadro operacional;
- compartilhamento e consolidação de informações táticas e operacionais em tempo real;
- aceleração da tomada de decisão;
- apoio à alocação de efetores;
- otimização de manutenção e suporte em campo.
A Thales afirma ainda que a IA permite automatizar a análise, correlação e priorização de grandes volumes de dados provenientes de fontes militares, abertas e civis.

De 100 para 1.000 objetivos processados por dia
Durante as fases de experimentação, a Thales informa que as capacidades de IA utilizadas pelo sistema permitiram avançar de 100 para 1.000 objetivos de direcionamento processados por dia.
O dado é apresentado pela empresa como uma demonstração da capacidade de ampliar o ritmo de processamento de informações durante operações militares.
A Thales também relaciona o desenvolvimento do HexaForce à experiência obtida com o Artemis.IA, plataforma centrada em dados utilizada pelo Ministério das Forças Armadas da França desde 2023. Segundo a empresa, a experiência contribuiu para o desenvolvimento das capacidades de processamento de múltiplas fontes e escalabilidade de inteligência artificial.

Interoperabilidade testada pela OTAN
A interoperabilidade é um dos pontos centrais do projeto.
Durante o CWIX 2026, a Thales testou o HexaForce em um ambiente voltado justamente à integração de tecnologias e sistemas de diferentes forças armadas. O exercício é descrito pela própria OTAN como um ambiente para testar, identificar e solucionar problemas de interoperabilidade entre países aliados e parceiros.
Segundo a Thales, durante o exercício o HexaForce demonstrou pela primeira vez sua interoperabilidade com sistemas de comando e controle empregados por outras nações, além da conformidade com especificações da Federated Mission Networking (FMN) da OTAN.
Esse aspecto é particularmente importante para operações conjuntas e multinacionais, nas quais diferentes países precisam compartilhar informações sem necessariamente abandonar seus próprios sistemas nacionais.

Arquitetura aberta e soberania dos dados
Outro elemento destacado pela Thales é a arquitetura aberta e interoperável do HexaForce.
A plataforma combina um núcleo de software com aplicações de comando multidomínio e utiliza padrões abertos. A empresa afirma que o modelo permite integrar sistemas de diferentes fornecedores e manter controle soberano sobre os fluxos de dados de entrada e saída.
O sistema também oferece suporte aos padrões de Data-Centric Security (DCS) e Federated Mission Networking (FMN).
Para forças armadas que operam em coalizão, esse tipo de arquitetura busca permitir o compartilhamento controlado de informações sem exigir que cada país abandone suas estruturas tecnológicas próprias.
Do nível estratégico ao campo de batalha
A proposta do HexaForce também envolve a integração dos diferentes níveis de comando.
A Thales afirma que o sistema foi desenvolvido para conectar comandantes estratégicos, estruturas operacionais e unidades táticas em uma mesma arquitetura de dados.
A empresa apresenta o conceito como uma forma de transformar grandes volumes de dados em informações utilizáveis pelos operadores, reduzindo o intervalo entre detectar, compreender, decidir e agir.
A solução é apresentada pela Thales como parte de uma evolução dos sistemas de comando e controle diante do crescimento do número de sensores, plataformas não tripuladas e fontes de informação presentes nos campos de batalha modernos.
O domínio marítimo dentro da arquitetura multidomínio
Para o ambiente naval, a integração multidomínio representa uma mudança importante na forma como informações podem ser utilizadas em operações.
O HexaForce foi projetado para operar também no domínio marítimo, conectando esse ambiente a informações provenientes dos demais domínios.
Em uma operação naval, por exemplo, informações produzidas por sensores e plataformas marítimas podem fazer parte de um quadro operacional mais amplo, integrado a dados provenientes de aeronaves, sistemas terrestres, recursos espaciais e redes digitais.
A capacidade de integrar essas informações é um dos elementos centrais da guerra multidomínio e da interoperabilidade entre forças.

Uma arquitetura pensada para operações de alta intensidade
A Thales desenvolveu o HexaForce tendo como referência cenários nos quais o volume de informações e a velocidade das operações exigem sistemas capazes de processar dados em grande escala.
A empresa afirma que a solução foi concebida para atender necessidades de comando envolvendo mais de 100 mil militares em operações de alta intensidade.
A utilização de inteligência artificial, nesse contexto, não substitui os sistemas de comando existentes, mas busca ampliar a capacidade de processamento e auxiliar os operadores na interpretação de grandes quantidades de informações.
Uma nova etapa para os sistemas C2
O lançamento do HexaForce mostra como a inteligência artificial está sendo incorporada aos sistemas de comando, controle e inteligência (C4I) empregados pelas forças armadas.
Mais do que simplesmente processar dados, a proposta apresentada pela Thales é criar uma arquitetura capaz de reunir diferentes fontes, conectar sistemas de diferentes domínios e fornecer aos comandantes uma visão operacional integrada.
O fato de o sistema ter sido testado no CWIX 2026 também coloca a interoperabilidade entre forças aliadas no centro do desenvolvimento.
Para o setor de Defesa, essa combinação entre IA, soberania tecnológica, interoperabilidade e comando multidomínio tende a ganhar importância à medida que as operações militares passam a depender de volumes cada vez maiores de dados distribuídos entre diferentes plataformas.
Principais características do HexaForce
| Característica | Informação |
|---|---|
| Sistema | HexaForce |
| Fabricante | Thales |
| Categoria | Comando e controle (C2) multidomínio |
| Inteligência artificial | cortAIx |
| Domínios | Terrestre, marítimo, aéreo, cibernético, espacial e informação |
| Arquitetura | Aberta, distribuída e interoperável |
| Integração | Sistemas nacionais e ambientes de coalizão |
| Teste relevante | CWIX 2026 |
| IA | LLMs e IA agêntica |
| Capacidade informada | Até 1.000 objetivos de direcionamento processados por dia em experimentações |
Fonte: Thales.
Tecnologia de comando para a guerra multidomínio
O HexaForce representa uma abordagem na qual dados, inteligência artificial e interoperabilidade passam a ocupar posição central nos sistemas de comando militar.
Ao integrar informações dos ambientes terrestre, marítimo, aéreo, cibernético, espacial e de informação, a solução busca oferecer às forças armadas uma arquitetura comum para operações cada vez mais conectadas.
O desenvolvimento também evidencia uma tendência presente nos programas militares contemporâneos: ampliar a capacidade de processamento e interpretação de dados sem abrir mão do controle nacional sobre informações consideradas estratégicas.
A Thales afirma que o HexaForce já está disponível e que sua evolução continua baseada no retorno obtido junto às forças armadas durante as fases de experimentação.
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Créditos
Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino – Zona de Manobra
Fonte: Thales
Imagem: © Thales / Gauthier Chauffrut

