Thales lança novo satélite meteorológico que poderá gerar imagens da Europa a cada 2,5 minutos

Thales lança novo satélite meteorológico que poderá gerar imagens da Europa a cada 2,5 minutos

Tecnologia Militar

MTG-I2 foi colocado em órbita pelo Ariane 6 e integra nova geração de satélites europeus para monitoramento de fenômenos meteorológicos

Por Jhonanta Marcelino | Zona de Manobra

O satélite meteorológico MTG-I2 (Meteosat Third Generation Imager-2) foi lançado com sucesso em 27 de agosto de 2026, a bordo de um foguete Ariane 6, durante a missão VA270, realizada a partir do Porto Espacial Europeu, em Kourou, na Guiana Francesa.

Construído pela Thales Alenia Space, o MTG-I2 é o segundo satélite de imageamento da terceira geração do programa Meteosat (MTG), desenvolvido em cooperação entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a EUMETSAT para ampliar a capacidade de observação meteorológica da Europa e da África.

Thales lança MTG-I2, novo satélite meteorológico europeu
MTG-I2 durante o processo de encapsulamento antes do lançamento pelo Ariane 6. Crédito: © 2026 ESA-CNES-ARIANESPACE-ArianeGroup / Optique Vidéo de CSG – S MARTIN

Imagens meteorológicas em intervalos de apenas 2,5 minutos

O MTG-I2 foi projetado para operar em órbita geoestacionária, a aproximadamente 36 mil quilômetros de altitude, mantendo uma posição aparente fixa em relação à superfície terrestre.

Quando estiver operacional, o satélite poderá produzir imagens da Europa e do norte da África em modo rápido a cada 2,5 minutos, permitindo acompanhar com maior frequência a evolução de sistemas meteorológicos que se desenvolvem rapidamente.

No modo de cobertura completa, o sistema de imageamento é capaz de produzir uma nova imagem da Terra em aproximadamente 10 minutos. A tecnologia representa uma evolução em relação aos satélites Meteosat de segunda geração, que trabalhavam com intervalos de aproximadamente 15 minutos.

Essa capacidade é particularmente importante para o chamado nowcasting, a previsão meteorológica de curtíssimo prazo, utilizada para acompanhar a formação e a evolução de fenômenos severos.

Dois instrumentos para observar a atmosfera

Os satélites de imageamento da família MTG contam com dois instrumentos principais: o Flexible Combined Imager (FCI) e o Lightning Imager (LI).

O FCI realiza observações multiespectrais da Terra utilizando 16 bandas espectrais. O instrumento foi projetado para melhorar a capacidade de identificação e acompanhamento de fenômenos atmosféricos, com resolução espacial entre aproximadamente 500 metros e 1 quilômetro.

Já o Lightning Imager é destinado ao monitoramento contínuo de descargas elétricas atmosféricas. A partir da órbita geoestacionária, o instrumento consegue acompanhar a ocorrência de raios sobre uma ampla área, contribuindo para a identificação de tempestades em desenvolvimento.

A combinação dessas informações permite que os serviços meteorológicos acompanhem mudanças na atmosfera com maior rapidez e precisão, contribuindo para sistemas de alerta e para a previsão de eventos severos.

Thales lança MTG-I2, novo satélite meteorológico europeu
MTG-I2 durante os procedimentos de preparação para o fit check no Porto Espacial Europeu, em Kourou, na Guiana Francesa. Crédito: © 2026 ESA-CNES-ARIANESPACE-ArianeGroup / Optique Vidéo de CSG – S MARTIN

Um sistema voltado ao monitoramento de fenômenos extremos

O MTG-I2 trabalhará em conjunto com outros satélites do programa para ampliar a capacidade de observação da atmosfera.

O Meteosat-12, anteriormente denominado MTG-I1, já fornece imagens meteorológicas e opera em conjunto com o MTG-S1, responsável pela sondagem atmosférica. Com a entrada do MTG-I2 no sistema, a primeira família do programa Meteosat de Terceira Geração fica completa.

Os dados produzidos pelos satélites poderão ser utilizados para acompanhar fenômenos como tempestades severas, além de contribuir para o monitoramento de incêndios florestais e da poluição atmosférica. A ESA destaca ainda a importância dessas informações para a emissão de alertas antecipados e para a segurança do tráfego aéreo.

O programa MTG prevê uma constelação completa formada por seis satélites: quatro de imageamento e dois de sondagem atmosférica. A Thales Alenia Space atua como contratada principal dos satélites MTG, em parceria com a OHB.

Ariane 6 realiza sua primeira missão para órbita de transferência geoestacionária

O lançamento também representou um marco para o Ariane 6.

A missão VA270 foi a primeira missão do Ariane 6 para uma órbita de transferência geoestacionária (GTO). O lançamento utilizou a configuração Ariane 62, equipada com dois propulsores sólidos P120C.

O foguete decolou às 17h11 no horário local de Kourou, em 27 de agosto. Cerca de 36 minutos depois, o MTG-I2 foi separado do lançador em uma órbita de transferência a aproximadamente 2.778 quilômetros acima do Equador. A partir dessa órbita inicial, o satélite continuará sua trajetória até a órbita geoestacionária operacional, a cerca de 36 mil quilômetros de altitude.

O sucesso da missão também reforça a capacidade europeia de realizar lançamentos destinados a missões de alta complexidade em órbita geoestacionária. Para programas espaciais estratégicos, a disponibilidade de um sistema próprio de acesso ao espaço é um componente importante da infraestrutura espacial europeia.

Thales lança MTG-I2, novo satélite meteorológico europeu
O MTG-I2 possui painéis solares destinados ao fornecimento de energia durante sua operação em órbita.
Crédito: @Thales Alenia Space/Alban Pichon

Tecnologia espacial como infraestrutura estratégica

Embora o MTG-I2 seja um satélite meteorológico civil, o programa evidencia a importância estratégica de tecnologias espaciais capazes de coletar, processar e distribuir grandes volumes de dados.

Satélites de observação em órbita geoestacionária permitem acompanhar grandes áreas continuamente e transformar informações obtidas do espaço em dados utilizados por serviços meteorológicos, autoridades e operadores de infraestrutura.

No caso do MTG, a evolução não está apenas no satélite. O sistema envolve também sensores, processamento de dados, segmento terrestre, controle de missão e infraestrutura de lançamento, formando uma cadeia tecnológica complexa.

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Representação artística dos satélites do programa Meteosat de Terceira Geração em órbita.
Crédito: © Thales Alenia Space/Briot

Segundo a ESA, quando o sistema MTG estiver plenamente operacional, a expectativa é que produza pelo menos 50 vezes mais dados do que os satélites Meteosat de Segunda Geração.

Essa evolução mostra como o domínio de tecnologias espaciais deixou de estar restrito à exploração científica e passou a integrar infraestruturas críticas utilizadas para monitoramento ambiental, previsão meteorológica, segurança e tomada de decisões.

Para o setor de Defesa, tecnologias de observação da Terra, sensoriamento remoto, comunicações por satélite e acesso independente ao espaço também representam áreas estratégicas. No entanto, o MTG-I2 especificamente tem finalidade meteorológica e não deve ser caracterizado como um satélite militar.

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Créditos

Texto: Jhonanta Marcelino / Zona de Manobra
Fontes: Thales Alenia Space / ESA / Arianespace
Foto 1: © 2026 ESA-CNES-Arianespace-ArianeGroup / Optique Vidéo de CSG – S Martin
Foto 2: © 2026 ESA-CNES-Arianespace-ArianeGroup / Optique Vidéo de CSG – S Martin
Foto 3: @Thales Alenia Space/Alban Pichon
Foto 4: © Thales Alenia Space/Briot

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