EDGE e Marinha ampliaram a cooperação técnica voltada ao monitoramento, à vigilância e ao reconhecimento marítimo. A parceria foi formalizada por meio de um Memorando de Entendimento (MoU) entre a Marinha do Brasil, por meio da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), e o EDGE Group.
O acordo abre espaço para estudos conjuntos, troca de conhecimentos e avaliação de soluções que possam atender a necessidades da Marinha. O documento também prevê o amadurecimento de conceitos operacionais e a identificação de requisitos técnicos, logísticos e de treinamento.
O que está previsto no acordo
Segundo o anúncio, a cooperação permitirá às instituições avaliar soluções e estudar a viabilidade de futuras iniciativas de interesse da Marinha.
Também está prevista a identificação de requisitos relacionados a tecnologia, logística e treinamento, além do desenvolvimento de recursos humanos voltados ao monitoramento e à vigilância do espaço marítimo brasileiro.
A iniciativa também contempla o amadurecimento de conceitos e possibilidades de cooperação, permitindo que Marinha e EDGE avancem na análise de soluções que possam atender às necessidades identificadas no ambiente marítimo.
Um ponto importante é que o acordo não representa, por si só, a aquisição de um sistema específico. O texto divulgado trata de estudos, avaliação de soluções e desenvolvimento de conceitos. Portanto, neste momento, não é correto apresentar uma determinada plataforma ou sistema como contratado pela Marinha em decorrência direta do acordo.

Uma cooperação que já vem sendo construída
O novo entendimento amplia uma relação que já possui outros capítulos.
Em 2025, a EDGE anunciou acordos relacionados à cooperação com a Marinha em sistemas antidrones, incluindo o desenvolvimento conjunto de capacidades para emprego em locais estratégicos. A empresa informou posteriormente que uma equipe técnica conjunta havia sido estabelecida para avançar essa iniciativa.
A relação também passa pelo programa MANSUP, desenvolvido pela indústria brasileira com participação da SIATT e em cooperação com a Marinha. A EDGE possui participação na SIATT e já anunciou contratos relacionados ao sistema de mísseis antinavio brasileiro.
Esses antecedentes ajudam a colocar o novo MoU em perspectiva: ele não surge isoladamente, mas dentro de uma relação tecnológica que vem sendo ampliada em diferentes áreas.
Vigilância marítima e sistemas não tripulados
O novo acordo também ocorre em um cenário no qual a Marinha vem ampliando o emprego de sistemas remotamente pilotados e não tripulados.
A DAerM já atua no campo de aeronaves remotamente pilotadas. O ScanEagle, por exemplo, é empregado pela Marinha em missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), inclusive a partir de navios.
No ambiente de superfície, o projeto PRISMA avançou com a instalação de uma Estação Remota de Controle a bordo do NAM Atlântico, permitindo a operação de Veículos de Superfície Não Tripulados a partir do navio.
São iniciativas diferentes do novo acordo com a EDGE e não devem ser tratadas como um único programa. O ponto de convergência está no avanço das capacidades de coleta de informações, vigilância e consciência situacional no ambiente marítimo.

O que pode vir pela frente
O MoU estabelece uma estrutura para que Marinha e EDGE estudem possibilidades de cooperação e avaliem futuras iniciativas.
Por enquanto, entretanto, não há no anúncio indicação de uma plataforma específica que será adquirida ou integrada à Marinha em consequência direta do acordo.
O próximo passo será transformar os estudos e avaliações previstos no entendimento em requisitos, conceitos e eventualmente projetos concretos.
Para o Poder Naval, o interesse está justamente nessa etapa: ampliar a capacidade de conhecer, acompanhar e interpretar o que acontece no espaço marítimo brasileiro depende cada vez mais da integração entre sensores, aeronaves, sistemas não tripulados, processamento de dados e recursos humanos especializados.
O novo acordo entre a DAerM e a EDGE acrescenta mais uma frente a esse processo.
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Créditos
Texto: Jhonanta Marcelino | Zona de Manobra
Fotos: EDGE Group e Marinha do Brasil
Fontes: EDGE Group, Marinha do Brasil e Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM).

