O Fraterno XXXIX reuniu fragatas, submarino, navio de socorro submarino, meios da Aviação Naval e unidades argentinas em uma série de treinamentos no mar.
A Marinha do Brasil e a Armada Argentina concluíram a fase marítima do Exercício Combinado Fraterno XXXIX, uma das principais atividades de adestramento naval entre os dois países e um dos mais tradicionais exercícios militares bilaterais da América do Sul.
Realizado sob liderança argentina e com atividades nas áreas marítimas entre as Bases Navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata, o exercício reuniu unidades de superfície, meios submarinos, aeronaves e pessoal das duas forças, com o objetivo de ampliar a interoperabilidade tática, aperfeiçoar procedimentos e fortalecer a cooperação naval no Atlântico Sul.
A edição XXXIX reuniu as duas Marinhas em uma sequência de atividades que começou ainda nos portos, avançou para a fase marítima e terminou com o retorno das unidades participantes à Base Naval Mar del Plata, onde ocorreu a cerimônia de finalização da fase marítima em 21 de agosto.

Uma operação com quatro meios brasileiros
A participação brasileira contou com quatro importantes unidades navais.
Em Puerto Belgrano, chegaram as fragatas Tamandaré (F200) e União (F45). As duas fragatas participaram do exercício com helicópteros AH-11B Wild Lynx embarcados. A Armada Argentina registrou oficialmente a chegada da Tamandaré com o N-4004 e da União com o N-4010.
Já em Mar del Plata, chegaram o submarino Humaitá (S41) e o Navio de Socorro Submarino Guillobel (K120), compondo o componente submarino e de apoio da Marinha do Brasil.
Do lado argentino, a Armada empregou o destróier ARA La Argentina, as corvetas ARA Espora e ARA Robinson, o patrulheiro oceânico ARA Storni e o navio logístico ARA Patagonia.
A Argentina também colocou em operação meios da Aviação Naval, incluindo helicópteros Sea King, aeronaves P-3C Orion, Beechcraft B-200 Super King Air e Turbo Mentor.
O resultado foi uma força combinada formada por diferentes tipos de plataformas, permitindo que os militares treinassem procedimentos de comunicação, coordenação e emprego de capacidades distintas em um mesmo cenário operacional.

Da fase de porto para o mar
Antes das operações marítimas, as forças passaram por uma etapa de preparação e integração.
Segundo a Armada Argentina, a primeira fase foi dedicada a reuniões de coordenação operacional, conferências de pilotos e controladores, treinamento em simuladores táticos, testes de enlaces de comunicação e atividades de integração entre as tripulações.
Depois veio a fase marítima.
A Armada Argentina informou que o exercício previa um deslocamento em cinco áreas de operações distribuídas entre Puerto Belgrano e Mar del Plata, com exercícios de tiro, defesa, guerra antissubmarino, manobras táticas e operações aeronaval.
Em 19 de agosto, a própria Armada registrou a saída dos navios para a fase operacional.
As fragatas brasileiras Tamandaré e União deixaram Puerto Belgrano acompanhadas pelo grupo de tarefas argentino formado pelo ARA La Argentina, ARA Espora, ARA Robinson e ARA Patagonia.
De Mar del Plata, o Humaitá e o Guillobel partiram acompanhados pelo patrulheiro oceânico ARA Storni.
A Aviação Naval Argentina também foi empregada durante a atividade.
O objetivo declarado era elevar o nível de adestramento das unidades, fortalecer a relação bilateral e aumentar a interoperabilidade tática entre as duas forças navais.

A Tamandaré em sua primeira participação internacional
A Fragata Tamandaré (F200) ocupou uma posição de destaque na edição XXXIX.
A nova fragata da Marinha do Brasil chegou a Puerto Belgrano acompanhada pela União, levando o helicóptero AH-11B Wild Lynx. A Armada Argentina registrou oficialmente a chegada dos dois navios e sua participação no programa de adestramento combinado.
O Fraterno XXXIX representou, portanto, a primeira participação internacional da nova F200 em um exercício combinado, colocando a primeira unidade da Classe Tamandaré em um ambiente operacional multinacional ao lado de navios argentinos e de outros meios da Esquadra brasileira.
Durante a fase operacional, Tamandaré e União integraram o grupo de tarefas que deixou Puerto Belgrano para realizar os exercícios no mar ao lado das unidades argentinas.
A participação da Tamandaré ocorre poucos meses depois de sua incorporação à Esquadra e representa um importante passo na entrada da nova classe de fragatas no ambiente operacional internacional.
Rumores sobre a estrutura da Tamandaré e o posicionamento da Marinha
Durante a comissão, circularam nas redes sociais rumores sobre uma suposta alteração ou dano na estrutura do convoo da Fragata Tamandaré.
O assunto ganhou repercussão e levou o Comando em Chefe da Esquadra a divulgar uma Nota à Imprensa.
O posicionamento oficial da Marinha do Brasil foi direto: em nota datada de 19 de agosto de 2026, a Força informou que a Fragata Tamandaré estava em viagem e que “não sofreu qualquer avaria ou dano em sua estrutura durante a comissão”.
A Marinha acrescentou que o navio permanecia em operação normal, sem degradação de suas capacidades operacionais ou do cumprimento das atividades previstas. A nota foi publicada no site do ComemCh em 20 de agosto.
Assim, embora os rumores tenham circulado nas redes sociais durante a participação da F200 no exercício, não há confirmação oficial de dano no convoo. O que existe é o posicionamento formal da Marinha negando qualquer avaria ou dano estrutural no navio durante a comissão.
A negativa ocorreu enquanto a Tamandaré seguia empregada no próprio Fraterno XXXIX, reforçando a informação oficial de que o navio permanecia operacional.

O Humaitá foi um dos grandes destaques
Entre todos os meios brasileiros, o Humaitá teve uma participação particularmente significativa.
Quando chegou a Mar del Plata, em 14 de agosto, a Armada Argentina revelou que dois oficiais e dois suboficiais submarinistas argentinos estavam embarcados no submarino brasileiro.
Eles haviam embarcado no Rio de Janeiro para acompanhar o deslocamento do Humaitá até a Argentina e participar da fase operacional do exercício.
A própria Armada Argentina destacou o submarino brasileiro e sua participação no treinamento combinado.
Mas a participação do Humaitá foi além do intercâmbio de militares.
Durante a cerimônia de encerramento, o chefe do Estado-Maior-Geral da Armada Argentina, Almirante Juan Carlos Romay, revelou que, diante da ausência de submarinos operacionais argentinos, a Marinha do Brasil ofereceu o embarque de oficiais e suboficiais submarinistas argentinos no Humaitá para treinamento em suas capacidades específicas.
Ao mesmo tempo, as unidades de superfície argentinas puderam realizar adestramento em ações antissubmarino contra o submarino brasileiro.
Esse intercâmbio transformou o Humaitá em uma importante ferramenta de treinamento para as duas forças: militares argentinos puderam conhecer diretamente procedimentos e capacidades submarinas brasileiras, enquanto os navios argentinos tiveram a oportunidade de treinar contra uma ameaça submarina durante o exercício.

Guillobel também teve papel importante
O Navio de Socorro Submarino Guillobel cumpriu uma função diferente, mas igualmente importante.
Durante o encerramento do exercício, o chefe da Armada Argentina destacou que a participação do navio brasileiro permitiu que buzos salvamentistas argentinos realizassem adestramento, contribuindo para o incremento de suas capacidades.
Assim, a participação brasileira não ficou limitada às fragatas e ao submarino.
O Fraterno XXXIX também permitiu o treinamento relacionado à atividade de salvamento submarino, ampliando a integração entre especialistas das duas Marinhas.

Capacidades de superfície, submarinas e aeronaval
A amplitude do Fraterno XXXIX foi destacada pelo próprio comando argentino.
Durante a cerimônia de encerramento, o Almirante Juan Carlos Romay afirmou que as forças navais precisam dispor de capacidades de superfície, submarinas, aeronaval, Infantaria de Marinha e ciberdefesa, com pessoal capacitado para atuar na vigilância e no controle dos espaços marítimos do Atlântico Sul.
A declaração mostra que o exercício foi concebido não apenas como uma sequência de manobras entre navios, mas como uma oportunidade de integração de diferentes capacidades militares.
Essa característica é particularmente relevante em um cenário naval moderno, no qual operações de superfície dependem cada vez mais da integração com aeronaves, sensores, sistemas de comunicação, unidades submarinas e estruturas de comando e controle.
Intercâmbio de militares a bordo
Outro elemento importante foi o intercâmbio de oficiais e suboficiais.
A Armada Argentina informou que o exercício contemplou a presença de militares de uma força a bordo das unidades da outra, com o objetivo de aprofundar a integração profissional e o conhecimento mútuo.
Essa prática permite que os militares conheçam diretamente procedimentos, rotinas e métodos de operação empregados pela força parceira.
No caso do Humaitá, esse intercâmbio assumiu uma dimensão ainda maior com o embarque dos submarinistas argentinos.

Um exercício com quase cinco décadas de história
O Fraterno não é uma atividade recente.
A Armada Argentina informa que o exercício reúne a Armada Argentina e a Marinha do Brasil desde 1978, consolidando-se ao longo de quase cinco décadas como uma das principais atividades de cooperação militar entre os dois países.
Para a edição XXXIX, a Argentina foi responsável por sediar as atividades em suas bases navais e águas jurisdicionais.
O propósito declarado foi fortalecer a interoperabilidade, aperfeiçoar procedimentos táticos e de comunicações, elevar o nível de adestramento dos meios e das tripulações e consolidar os vínculos de confiança entre as duas forças.

O respaldo oficial argentino
A realização do Fraterno XXXIX também foi formalmente autorizada pelo governo argentino, por meio do Decreto DNU 717/2026.
O exercício foi autorizado para receber meios e pessoal da Marinha do Brasil em território e águas argentinas, permitindo a participação das unidades brasileiras nas atividades previstas entre as bases de Puerto Belgrano e Mar del Plata.
O respaldo institucional demonstra que o exercício foi planejado como uma atividade bilateral de grande escala, envolvendo diferentes componentes das duas forças.
Esse link é excelente para a matéria, porque leva diretamente à fonte oficial do governo argentino, e não a um portal de terceiros. O documento inclusive especifica as datas autorizadas e os locais de realização.
O encerramento da fase marítima
Após a conclusão das atividades no mar, as unidades participantes retornaram à Base Naval Mar del Plata.
Em 21 de agosto, a Armada Argentina realizou a cerimônia de finalização da fase marítima do Fraterno XXXIX.
Estiveram presentes os comandantes e tripulações dos quatro meios brasileiros — Tamandaré, União, Humaitá e Guillobel — e das unidades argentinas participantes.
A cerimônia foi presidida pelo chefe do Estado-Maior-Geral da Armada Argentina, Almirante Juan Carlos Romay, que destacou a continuidade institucional da relação bilateral e o interesse permanente das duas forças em desenvolver capacidades para operações combinadas e para a segurança marítima do Atlântico Sul.
Ao final, as autoridades visitaram o Humaitá e a Fragata Tamandaré, encerrando uma etapa operacional que reuniu diferentes capacidades navais brasileiras e argentinas.

Uma parceria que vai além do exercício
O Fraterno XXXIX mostrou que a cooperação naval entre Brasil e Argentina vai muito além da presença simultânea de navios no mar.
A operação envolveu fragatas, submarino, navio de socorro submarino, aviação naval, intercâmbio de militares, treinamento submarino, guerra antissubmarino, exercícios de superfície, tiro, defesa, manobras táticas e salvamento submarino.
Para o Brasil, a participação também colocou a Fragata Tamandaré, primeira unidade da nova classe, em seu primeiro grande exercício internacional combinado, enquanto o Humaitá desempenhou um papel particularmente relevante no treinamento de capacidades submarinas.
Para a Argentina, o exercício proporcionou uma oportunidade de treinamento com diferentes meios brasileiros, incluindo a operação contra um submarino brasileiro e o embarque de seus próprios submarinistas no Humaitá.
Mais do que um exercício entre navios, o Fraterno XXXIX demonstrou como Brasil e Argentina continuam utilizando a cooperação naval como instrumento de adestramento, intercâmbio profissional e fortalecimento da capacidade de atuação conjunta no Atlântico Sul.
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Créditos
Texto: Jhonanta Marcelino | Zona de Manobra
Fotos: Armada Argentina
Fontes: Armada Argentina, Marinha do Brasil e Boletín Oficial da República Argentina — Decreto DNU 717/2026.

