Xmobots leva Nauru 100D e XSIS 222A à Operação Formosa e apresenta nova plataforma autônoma ao Ministério da Defesa

Xmobots leva Nauru 100D e XSIS 222A à Operação Formosa 2026 e apresenta Vision ao Ministério da Defesa

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Empresa brasileira demonstrou sistemas de inteligência, vigilância e reconhecimento durante exercício em Goiás e recebeu representantes da SEPROD em sua sede, onde apresentou o Xmobots Vision e conceitos para futuras missões de Defesa

A Xmobots Defense levou tecnologias brasileiras de sistemas não tripulados para a Operação Formosa 2026, realizada em Goiás, onde demonstrou as capacidades do Nauru 100D, nas configurações ISR e UCAV, e do sensor XSIS 222A em um ambiente de treinamento militar. Na mesma semana, a empresa recebeu representantes do Ministério da Defesa em sua sede, em São Carlos (SP), apresentando sua estrutura industrial e de pesquisa e desenvolvimento, além do Xmobots Vision, programa de eVTOL autônomo com aplicações futuras também voltadas ao setor de Defesa.

Os dois acontecimentos ocorreram em momentos distintos, mas revelam uma mesma frente de desenvolvimento: a aproximação entre a Base Industrial de Defesa brasileira e as demandas por sistemas aéreos não tripulados, sensores, autonomia e novas arquiteturas para missões militares.

Xmobots participa da Operação Formosa 2026

Encerrada em 24 de setembro, a Operação Formosa 2026 reuniu meios e tropas da Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás.

Segundo o Ministério da Defesa, o exercício envolveu aproximadamente 2.900 militares, 198 viaturas, 33 blindados, oito aeronaves e 18 drones, além da participação de militares estrangeiros e observadores internacionais. Pela primeira vez, a programação também contou com a Exposição de Defesa Expedicionária de Formosa (EDEF), que reuniu 22 estandes de empresas da Base Industrial de Defesa.

Foi nesse ambiente que a Xmobots Defense apresentou parte de suas soluções destinadas ao setor militar.

Segundo a própria empresa, o Nauru 100D foi demonstrado nas configurações ISR, voltada à Inteligência, Vigilância e Reconhecimento, e UCAV, conceito destinado ao emprego armado. A Xmobots também informou que ocorreu uma operação coordenada entre duas plataformas Nauru durante a programação.

A demonstração também evidencia uma tendência no desenvolvimento de sistemas não tripulados: a capacidade de empregar diferentes plataformas de forma coordenada, ampliando a obtenção de informações e a consciência situacional no ambiente operacional.

Nauru 100D da Xmobots durante demonstração na Operação Formosa 2026 em Goiás.
Xmobots demonstrou o Nauru 100D, nas configurações ISR e UCAV, e o sensor XSIS 222A durante a Operação Formosa 2026, em Goiás. Crédito: Xmobots Defense

Nauru 100D: inteligência, vigilância e reconhecimento

O Nauru 100D é um sistema aéreo não tripulado com arquitetura eVTOL, desenvolvido pela Xmobots para missões de ISTAR — Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento.

De acordo com as especificações divulgadas pela fabricante, a plataforma possui autonomia padrão de até duas horas, alcance operacional de aproximadamente 20 a 30 quilômetros, peso máximo de decolagem de 9 kg e capacidade de operação a partir de locais restritos.

O sistema também pode utilizar sensores ópticos e infravermelhos para aquisição e acompanhamento de alvos.

Entre os recursos divulgados pela Xmobots estão rastreamento de alvos fixos e móveis, determinação de coordenadas geográficas e operação diurna e noturna. A empresa também destaca características de baixa assinatura visual, acústica, térmica e radar.

No contexto militar, essas características permitem que uma plataforma relativamente compacta seja empregada para ampliar a capacidade de observação das tropas sem colocar diretamente uma aeronave tripulada em determinadas tarefas de reconhecimento.

UCAV e operação coordenada

A presença da configuração UCAV merece atenção porque representa uma evolução conceitual em relação ao emprego exclusivamente voltado ao reconhecimento.

A Xmobots mantém o conceito de Nauru 100D UCAV em desenvolvimento, ao lado de estudos relacionados ao emprego coordenado de sistemas não tripulados. A própria fabricante descreve o UCAV como uma proposta de plataforma aérea de combate, enquanto o conceito de Swarm envolve o emprego coordenado de múltiplas aeronaves.

Na Operação Formosa, entretanto, é importante separar demonstração tecnológica de emprego efetivo de armamento.

A Xmobots confirmou que as configurações ISR e UCAV participaram da demonstração e que houve uma operação coordenada entre duas plataformas Nauru. Não há, nas informações divulgadas pela empresa, confirmação de que tenha ocorrido ataque real ou lançamento de armamento durante essa demonstração.

XSIS 222A amplia a capacidade de sensores

Além das plataformas aéreas, a Xmobots levou para Formosa o XSIS 222A, sistema eletro-óptico e infravermelho desenvolvido pela empresa.

O sensor combina uma câmera eletro-óptica Full HD com zoom óptico de 30 vezes e um sensor MWIR — infravermelho de ondas médias, com resolução de 640 × 512 pixels e zoom óptico de 14 vezes. O sistema também conta com telêmetro laser e apontador infravermelho.

Esse tipo de sensor desempenha papel importante em missões de vigilância e reconhecimento, permitindo detectar, identificar e acompanhar alvos em diferentes condições de iluminação.

A combinação entre uma plataforma aérea autônoma e sensores estabilizados amplia a capacidade de obtenção de informações do ambiente operacional, um dos elementos centrais da chamada consciência situacional.

Da operação militar à estrutura industrial

Enquanto suas tecnologias eram apresentadas em Formosa, a Xmobots recebeu representantes do Ministério da Defesa em sua sede, em São Carlos.

A visita ocorreu em 24 de setembro e contou com a presença do Secretário de Produtos de Defesa, Brig. Heraldo, e do Diretor do Departamento de Promoção Comercial da SEPROD, General Brion.

Segundo a Xmobots, os representantes do Ministério da Defesa foram recebidos pelo fundador e CEO da empresa, Giovani Amianti, e pelo Diretor de Defesa, Reinaldo Junior.

A agenda incluiu a linha de produção do Nauru 100D, a família SPAD, laboratórios, áreas de desenvolvimento de protótipos e os diferentes núcleos de pesquisa e desenvolvimento da companhia.

Mas um dos pontos de maior interesse da visita foi a apresentação do Xmobots Vision.

Representantes do Ministério da Defesa conheceram a estrutura de engenharia, produção e pesquisa da Xmobots, em São Carlos (SP), onde também foi apresentado o Xmobots Vision.
Crédito: Xmobots
Representantes do Ministério da Defesa conheceram a estrutura de engenharia, produção e pesquisa da Xmobots, em São Carlos (SP), onde também foi apresentado o Xmobots Vision. Crédito: Xmobots

Xmobots Vision: autonomia além dos drones tradicionais

O Xmobots Vision é um programa de desenvolvimento de uma nova geração de plataformas aéreas autônomas. A empresa apresenta o projeto como uma nova fronteira da mobilidade aérea, com capacidade de operação sem piloto embarcado e aplicações para transporte de passageiros e cargas.

O programa também possui uma vertente voltada à Defesa.

Segundo a Xmobots, a versão militar recebeu a denominação Nauru 3000D e foi concebida como uma evolução conceitual da família de sistemas não tripulados da empresa.

Entre as aplicações previstas estão configurações para ISTAR, transporte logístico e transporte de tropas. A empresa também informa que o conceito contempla a possibilidade de decolagem e pouso autônomos a partir de embarcações em movimento.

É uma perspectiva que chama atenção particularmente para o setor militar, porque introduz uma arquitetura diferente daquela dos drones convencionais de pequeno porte.

Em vez de utilizar uma aeronave não tripulada apenas para observar o campo de batalha, o conceito busca explorar plataformas autônomas maiores, concebidas para transportar carga ou pessoal.

Representantes do Ministério da Defesa conheceram a estrutura de engenharia, produção e pesquisa da Xmobots, em São Carlos (SP), onde também foi apresentado o Xmobots Vision.
Crédito: Xmobots
Xmobots apresentou aos representantes da Defesa conceitos relacionados à evolução de suas plataformas autônomas. Crédito: Xmobots

Uma tecnologia ainda em desenvolvimento

Apesar do potencial, é importante colocar a informação dentro do estágio atual do projeto.

A apresentação do Xmobots Vision ao Ministério da Defesa não significa que as Forças Armadas tenham adquirido a plataforma ou decidido incorporá-la ao seu inventário.

Também não há, nas informações divulgadas pela empresa, anúncio de contrato de aquisição, quantidade de aeronaves ou cronograma de entrada em serviço militar.

O que está confirmado é a existência do desenvolvimento tecnológico e a apresentação do projeto aos representantes da Secretaria de Produtos de Defesa.

A própria Xmobots apresenta o programa Vision como um projeto de longo prazo. Em sua documentação, a empresa prevê diferentes etapas de desenvolvimento, incluindo amadurecimento tecnológico e processos de certificação civil e militar.

O que a aproximação revela sobre a indústria brasileira

A participação da Xmobots na Operação Formosa e a visita dos representantes do Ministério da Defesa à empresa colocam em evidência dois lados de um mesmo processo.

No exercício, tecnologias nacionais foram colocadas em contato com um ambiente de treinamento militar que envolveu diferentes meios, tropas, estruturas de comando e sistemas não tripulados.

Na sede da empresa, os representantes da Defesa puderam conhecer a infraestrutura responsável pelo desenvolvimento dessas tecnologias, passando por produção, prototipagem, laboratórios e pesquisa e desenvolvimento.

Essa aproximação é relevante para uma Base Industrial de Defesa que busca não apenas produzir plataformas, mas dominar componentes críticos da cadeia tecnológica.

No caso da Xmobots, essa cadeia envolve aeronaves, aviônicos, software embarcado, sensores, navegação, controle, inteligência artificial, energia e propulsão, segundo informações divulgadas pela própria empresa.

Do campo de treinamento para as próximas gerações

A Operação Formosa proporcionou um ambiente de demonstração para sistemas não tripulados em um cenário de treinamento militar.

Já a apresentação do Xmobots Vision aponta para uma etapa diferente: o desenvolvimento de plataformas autônomas de maior porte e com novas possibilidades de emprego.

Ainda não é possível afirmar qual dessas tecnologias será incorporada futuramente pelas Forças Armadas brasileiras.

O que já pode ser observado é o avanço da indústria nacional em direção a sistemas que combinam autonomia, sensores, inteligência artificial e capacidade de integração, aproximando o desenvolvimento tecnológico das necessidades observadas no ambiente militar.

Para o Brasil, esse movimento representa uma questão que vai além da fabricação de drones.

Trata-se da capacidade de desenvolver e dominar, dentro do país, os diferentes elementos tecnológicos necessários para construir sistemas autônomos capazes de operar em ambientes cada vez mais complexos.

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Créditos

Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino – Zona de Manobra
Fontes: Xmobots; Ministério da Defesa; informações técnicas da fabricante.

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