Em entrevista ao Zona de Manobra, Reinaldo Junior, Diretor de Defesa da Xmobots, detalha projetos como Nauru3000, enxames de drones e Vision, além da estratégia da empresa para ampliar capacidades nacionais em sistemas não tripulados
O avanço dos sistemas não tripulados vem ampliando o papel de aeronaves, sensores, inteligência artificial e tecnologias autônomas nas operações de Defesa. Nesse cenário, a Xmobots vem desenvolvendo novas capacidades voltadas ao setor, buscando ampliar o domínio nacional sobre diferentes componentes tecnológicos necessários para o desenvolvimento de sistemas não tripulados.
A atuação da Xmobots envolve desde o desenvolvimento das aeronaves e seus sistemas embarcados até tecnologias de navegação, comunicações, estação de controle em solo, software de missão e aplicações baseadas em inteligência artificial.
Essa estratégia também inclui o desenvolvimento de novas plataformas e conceitos de emprego. Entre eles está o Nauru3000, apresentado pela empresa como uma plataforma versátil e modular para atender diferentes demandas do setor de Defesa. A companhia também trabalha com um conceito de emprego coordenado de múltiplos drones, conhecido como Swarm, baseado no Nauru100D.
Outro projeto em desenvolvimento é o Vision, que inclui estudos para aplicações autônomas, entre elas o transporte de soldados. A tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento e envolve desafios relacionados à navegação, autonomia, gerenciamento de energia, percepção do ambiente, segurança, redundância e integração de sistemas.
A experiência da Xmobots junto às Forças Armadas também faz parte desse processo. A participação em exercícios militares, como a Operação Formosa 2026, permite à empresa observar necessidades operacionais e utilizar essas experiências como referência para o desenvolvimento de novas soluções.
Foi nesse contexto que o Zona de Manobra conversou com Reinaldo Junior, Diretor de Defesa da Xmobots, para conhecer as tecnologias que a empresa busca dominar nacionalmente, os projetos atualmente em desenvolvimento e a visão da companhia para o futuro dos sistemas não tripulados aplicados à Defesa.

Xmobots e o domínio nacional de tecnologias para sistemas não tripulados
A primeira questão aborda justamente a capacidade tecnológica necessária para desenvolver um sistema não tripulado completo e reduzir dependências externas.
Zona de Manobra: A Xmobots vem desenvolvendo tecnologias próprias envolvendo aeronaves, sensores, software e sistemas autônomos. Quais são hoje os principais componentes tecnológicos que a empresa busca dominar nacionalmente para aumentar a autonomia do Brasil no desenvolvimento de sistemas não tripulados de Defesa?
Reinaldo Junior: A Xmobots atingiu um nível de maturidade tecnológica que nos permite dominar o desenvolvimento e a produção de um sistema completo de aeronave não tripulada, desde a concepção e fabricação da estrutura até os principais sistemas embarcados. Isso inclui aviônica, sistemas de navegação, comunicações, estação de controle em solo, software de missão e aplicações baseadas em inteligência artificial.
Essa capacidade de domínio tecnológico é continuamente ampliada, com investimentos em novas arquiteturas, sensores, sistemas autônomos, inteligência artificial, integração de sistemas e novas aplicações para Defesa e Segurança. O objetivo é ampliar cada vez mais a capacidade nacional de desenvolver soluções completas, reduzindo dependências tecnológicas externas e aumentando a autonomia e a capacidade de resposta do Brasil nesse segmento estratégico.
Nauru3000 e o desenvolvimento de novas plataformas
Entre os projetos apresentados pela empresa está o Nauru3000, uma nova plataforma que, segundo a Xmobots, foi concebida para oferecer maior capacidade de carga útil, autonomia e flexibilidade operacional.
A proposta também prevê a integração de diferentes sensores e sistemas para atender diferentes tipos de missão.
Zona de Manobra: Durante a visita, os representantes do Ministério da Defesa conheceram os laboratórios, a área de prototipagem e os núcleos de Pesquisa e Desenvolvimento da Xmobots. Quais projetos ou capacidades de P&D apresentados à SEPROD estão atualmente entre as principais prioridades da empresa para o setor de Defesa?
Reinaldo Junior: Entre as iniciativas estratégicas está o desenvolvimento do Nauru3000, uma nova plataforma versátil e modular, concebida para atender demandas do setor de Defesa, com maior capacidade de carga útil, autonomia e flexibilidade operacional. A plataforma permitirá a integração de diferentes sensores e sistemas para missões de inteligência, vigilância, reconhecimento, aquisição de alvos e ataque além de outras aplicações, como transporte de carga e tropa, de acordo com as demandas das Forças Armadas.
O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla de evolução do portfólio da Xmobots, que envolve novas plataformas, sistemas embarcados, sensores, inteligência artificial, autonomia e integração entre diferentes componentes do sistema. Dessa forma, buscamos desenvolver não apenas aeronaves, mas sistemas não tripulados completos, integrados e adaptáveis às diferentes necessidades operacionais.
Também apresentamos o conceito de um sistema para emprego coordenado de enxames de drones (Swarm), baseado no Nauru100D. A proposta explora capacidades de operação colaborativa entre múltiplas aeronaves, utilizando autonomia, inteligência artificial e coordenação entre sistemas para ampliar a eficiência e a flexibilidade no emprego de drones em diferentes tipos de missão.
Esses projetos refletem a estratégia da Xmobots de ampliar continuamente suas capacidades tecnológicas e desenvolver soluções nacionais alinhadas à evolução dos sistemas não tripulados e às necessidades da Defesa e Segurança.
Vision: autonomia e transporte de soldados
Além das aeronaves voltadas às missões tradicionais de inteligência, vigilância e reconhecimento, a Xmobots também trabalha em conceitos envolvendo sistemas autônomos para aplicações mais complexas.
Entre eles está o Vision, projeto que a empresa afirma estar em fase de desenvolvimento e que inclui estudos para o transporte autônomo de soldados.
Zona de Manobra: O material enviado pela Xmobots menciona o estudo de uma aplicação do Vision para transporte autônomo de soldados. Quais desafios de engenharia, autonomia, segurança e operação ainda precisam ser superados para que esse conceito possa evoluir para uma capacidade operacional?
Reinaldo Junior: O projeto encontra-se em fase de desenvolvimento, seguindo os ciclos de maturação tecnológica previstos no planejamento desse novo produto. Como ocorre em qualquer sistema autônomo destinado a aplicações críticas, sua evolução envolve a superação progressiva de desafios relacionados à engenharia, navegação, autonomia, gerenciamento de energia, percepção do ambiente, segurança, redundância e integração dos sistemas.
A proposta é avançar de forma estruturada, por meio de prototipagem, testes e validações progressivas da tecnologia. A experiência acumulada pela Xmobots no desenvolvimento verticalizado de aeronaves não tripuladas, sistemas de navegação, software, inteligência artificial e integração de sistemas contribui diretamente para essa evolução.


O que os exercícios militares mostram à indústria
A interação entre empresas de Defesa e as Forças Armadas também permite identificar necessidades que podem influenciar o desenvolvimento de novas tecnologias.
No caso da Xmobots, a participação em exercícios militares é apresentada como uma oportunidade para compreender melhor as necessidades dos usuários e observar como diferentes sistemas podem ser empregados em situações operacionais.
Zona de Manobra: A experiência da Xmobots em exercícios militares, como a Operação Formosa 2026, permite observar as necessidades das Forças Armadas em um ambiente operacional. Quais demandas tecnológicas identificadas nesses exercícios têm influenciado diretamente o desenvolvimento dos próximos sistemas da empresa?
Reinaldo Junior: A interação com as Forças Armadas e a participação em exercícios operacionais permitem compreender de forma mais precisa as necessidades reais dos usuários. Uma das principais demandas identificadas é a necessidade de sistemas flexíveis, de rápido emprego e capazes de executar diferentes tipos de missão a partir de uma mesma arquitetura tecnológica.
Nesse contexto, a Xmobots está alinhada a essas necessidades e desenvolve soluções que podem ser empregadas em missões de vigilância, reconhecimento, identificação e aquisição de alvos, inteligência e ações de ataque, conforme a configuração e os requisitos de cada missão.
A capacidade de adaptar rapidamente a plataforma, integrar diferentes cargas úteis e sensores e incorporar recursos de autonomia e inteligência artificial é fundamental para acompanhar a dinâmica e a diversidade das operações modernas. É justamente nessa direção que a Xmobots vem desenvolvendo seu portfólio, buscando oferecer sistemas cada vez mais versáteis, integrados e aderentes às necessidades operacionais das Forças Armadas.


Novas capacidades para a Defesa
A estratégia apresentada pela empresa aponta para a ampliação de um portfólio que não se limita ao desenvolvimento de aeronaves, mas envolve também sensores, sistemas autônomos, inteligência artificial, integração e novas formas de emprego.
A relação com os usuários militares aparece, nesse processo, como uma das referências para direcionar o desenvolvimento tecnológico.
Zona de Manobra: Pensando nos próximos anos, quais capacidades a Xmobots pretende ampliar no segmento de Defesa, seja em sistemas aéreos não tripulados, sensores, autonomia, inteligência artificial ou novas plataformas, e qual é o papel das parcerias com as Forças Armadas e com o Ministério da Defesa nesse processo?
Reinaldo Junior: As tecnologias de Defesa estão em constante evolução, e acompanhar esse processo é fundamental para que a Xmobots continue desenvolvendo soluções relevantes e tecnologicamente competitivas no mercado mundial de sistemas não tripulados.
Nossa estratégia envolve a ampliação do portfólio de plataformas, a evolução dos sistemas autônomos, o uso cada vez maior de inteligência artificial, a integração de diferentes sensores e cargas úteis e o desenvolvimento de novas capacidades operacionais. A tendência é que os sistemas não tripulados sejam cada vez mais integrados, inteligentes, autônomos e capazes de executar múltiplas missões.
Nesse processo, a parceria com as Forças Armadas e o Ministério da Defesa é essencial. A interação com os usuários permite compreender requisitos operacionais, validar tecnologias em ambientes reais e direcionar o desenvolvimento para necessidades concretas da Defesa e Segurança. Ao mesmo tempo, essa validação institucional contribui para o fortalecimento e o referendo das soluções brasileiras, criando condições para que a indústria nacional possa exportar produtos de maior valor tecnológico e consolidar o Brasil como desenvolvedor e fornecedor de sistemas não tripulados de Defesa e Segurança.

Uma indústria voltada para novos sistemas de Defesa
As respostas de Reinaldo Junior mostram uma estratégia que vai além do desenvolvimento de uma única aeronave. A Xmobots apresenta uma abordagem baseada na integração de plataformas, sensores, software, inteligência artificial e sistemas autônomos.
Projetos como o Nauru3000, o conceito de emprego coordenado de enxames baseado no Nauru100D e o desenvolvimento do Vision apontam para diferentes caminhos de aplicação dos sistemas não tripulados.
Ainda que parte dessas tecnologias esteja em desenvolvimento e dependa de etapas de prototipagem, testes e validação, a direção apresentada pela empresa é clara: ampliar a capacidade de desenvolver sistemas nacionais cada vez mais integrados e adaptáveis às necessidades da Defesa e Segurança.
Para o setor brasileiro de Defesa, esse movimento também coloca em evidência a importância da aproximação entre indústria, Forças Armadas e Ministério da Defesa no processo de desenvolvimento e validação de novas tecnologias.
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Créditos
Entrevista: Reinaldo Junior – Diretor de Defesa da Xmobots
Texto e edição: Jhonanta Marcelino – Zona de Manobra
Fonte: Xmobots


Muito bom! Nosso país precisa dessa tecnologia , parabéns pela entrevista e matéria que é de grande valor. Abç
Excelente! Parabéns Brasil