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PRISMA: Marinha amplia uso de veículos não tripulados

Marinha do Brasil Tecnologia Militar

Tecnologia desenvolvida pelo CASNAV integra estação de controle, comunicações e Veículos de Superfície Não Tripulados; testes a bordo do NAM Atlântico ampliam a capacidade de emprego de sistemas marítimos autônomos

A Marinha do Brasil avança no desenvolvimento de sistemas marítimos não tripulados com a evolução do PRISMA — Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos, tecnologia desenvolvida pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV) para ampliar as possibilidades de controle e emprego de Veículos de Superfície Não Tripulados (VSNT).

A etapa mais recente ocorreu a bordo do Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico, onde o CASNAV instalou uma Estação Remota de Controle (ERC) destinada à operação de VSNT. A atividade incluiu a integração de rádios MeshIP à infraestrutura de antenas e rede do navio e testes de comunicação entre a estação e o veículo utilizando diferentes meios de conectividade. 

O avanço é relevante porque leva a capacidade de operação de sistemas não tripulados para dentro de uma plataforma naval de grande porte, criando condições para que um navio da Esquadra possa atuar como elemento de comando e controle de veículos de superfície sem tripulação a bordo.

O que é o PRISMA

O PRISMA é uma plataforma desenvolvida pelo CASNAV para permitir a interface e o controle remoto de sistemas marítimos autônomos.

Em demonstração realizada pelo Centro em junho de 2026, o sistema foi utilizado para controlar em tempo real um VSNT que operava na Baía de Guanabara, enquanto a estação de controle estava localizada a centenas de quilômetros de distância. 

A arquitetura coloca o sistema de controle como uma camada de integração entre o operador e o veículo.

Em termos operacionais, isso permite que comandos destinados ao VSNT sejam transmitidos por uma infraestrutura de comunicação, enquanto informações provenientes do veículo retornam à estação de controle.

Esse fluxo pode envolver dados necessários para acompanhamento da missão, como informações de sensores, telemetria e imagens, dependendo da configuração empregada.

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VSNT sendo controlado a partir da nova Estação Remota de Controle embarcada no NAM Atlântico. Foto: CASNAV/Marinha do Brasil.

A instalação da estação no NAM Atlântico

A evolução mais recente ocorreu com a instalação da Estação Remota de Controle a bordo do NAM Atlântico.

Segundo o CASNAV, o navio já havia passado por uma etapa anterior de homologação com equipamentos disponibilizados pelo Centro. Na nova fase, os equipamentos foram adquiridos pelo próprio navio e instalados pela equipe do CASNAV. 

A instalação incluiu os rádios MeshIP e suas antenas no parque de antenas do NAM Atlântico.

Esses equipamentos foram integrados à infraestrutura de rede existente no navio, estabelecendo o caminho de conectividade entre os rádios e a Estação Remota de Controle. 

O processo mostra que a capacidade não depende apenas do software PRISMA ou do próprio VSNT.

Existe uma arquitetura composta por veículo, estação de controle, sistemas de comunicação, infraestrutura de rede e plataforma naval, que precisa funcionar de forma integrada.

Dois meios de comunicação foram testados

Um dos aspectos técnicos mais importantes da atividade realizada pelo CASNAV foi o teste de diferentes meios de conectividade.

Durante a instalação, foram avaliadas duas formas de comunicação entre a Estação Remota de Controle e o VSNT:

• Enlace satelital via Starlink

• Rádio MeshIP

O CASNAV informa que a utilização combinada dessas soluções demonstrou a flexibilidade do sistema e sua capacidade de adaptação a diferentes cenários de emprego. 

Essa característica é particularmente importante para sistemas não tripulados.

Um veículo que opere distante do navio precisa manter uma ligação confiável com sua estação de controle. Dependendo do ambiente operacional, obstáculos, distância, disponibilidade de infraestrutura e características da missão, diferentes meios de comunicação podem apresentar comportamentos distintos.

Por isso, testar arquiteturas alternativas de conectividade é parte importante da evolução de uma capacidade operacional.

O VSNT deixa de ser apenas uma embarcação controlada remotamente

O desenvolvimento do projeto mostra uma mudança importante de perspectiva.

O VSNT não deve ser analisado isoladamente como uma pequena embarcação sem tripulação.

O objetivo é integrá-lo a uma arquitetura de comando, controle, comunicações e sensores, permitindo que ele seja empregado como um elemento adicional de uma força naval.

Em julho de 2025, durante a comissão ADEREX, o CASNAV informou que o VSNT foi operado pela primeira vez de maneira plena e integrada a partir do Centro de Operações de Combate (COC) do NAM Atlântico, utilizando a rede de fibra óptica embarcada. 

Naquela atividade, houve tráfego bidirecional de vídeo, comandos, telemetria e dados de sensores.

Também foram realizados exercícios envolvendo navegação noturna com câmera infravermelha, testes de alcance de comunicações, avaliação da assinatura térmica noturna e corridas de interceptação contra uma ameaça assimétrica de superfície. 

O conjunto desses testes ajuda a demonstrar que o projeto está avançando de uma fase experimental para uma arquitetura cada vez mais integrada ao ambiente operacional naval.

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VSNT sendo controlado a partir da nova Estação Remota de Controle embarcada no NAM Atlântico. Foto: CASNAV/Marinha do Brasil.

Do controle remoto à autonomia

É importante separar dois conceitos.

Um veículo remotamente controlado depende de comandos enviados por um operador.

Já um sistema autônomo possui capacidade de executar determinadas funções de forma automatizada, dentro dos parâmetros definidos para sua missão.

O projeto do CASNAV combina essas possibilidades.

Em demonstrações realizadas em 2025, o VSNT DGS-15 foi apresentado tanto em modo remotamente pilotado quanto em modo autônomo sob supervisão.

Isso abre espaço para uma arquitetura na qual o operador não precisa necessariamente controlar manualmente cada movimento do veículo durante toda a missão.

Dependendo do grau de autonomia implementado, sistemas desse tipo podem executar tarefas previamente programadas e permanecer sob supervisão humana.

Um projeto que começou com uma lancha convertida

O desenvolvimento do VSNT pelo CASNAV possui uma característica particularmente interessante.

Segundo a própria Marinha, o projeto começou em 2021, com investimento inicial de R$ 23 mil em recursos próprios, utilizado para converter uma lancha em uma plataforma de operação remota utilizando tecnologia nacional. 

O projeto evoluiu posteriormente para duas embarcações não tripuladas e passou por avaliações em exercícios reais.

O CASNAV registra a participação do VSNT DGS-15 nas operações MINEX-24 e ADEREX 2025, nas quais foram avaliadas capacidades de operação remota em cenários complexos. 

Essa trajetória é relevante porque demonstra uma abordagem incremental: começar com uma plataforma de menor complexidade, validar tecnologias, incorporar novas funções e posteriormente integrá-las a uma plataforma naval de maior porte.

O que o NAM Atlântico acrescenta ao sistema

A integração com o NAM Atlântico amplia consideravelmente o potencial de emprego.

O navio passa a possuir uma infraestrutura dedicada que pode servir como ponto de controle para sistemas marítimos não tripulados.

Isso cria possibilidades para operações nas quais o VSNT possa atuar à frente ou em áreas específicas enquanto o navio permanece como plataforma de apoio, comando e controle.

A própria Marinha cita perspectivas de emprego futuro em escoltas, vigilância costeira e apoio a operações especiais

No caso da nova instalação do PRISMA, o CASNAV também afirma que a tecnologia possui potencial para permitir futuramente a conversão de outras embarcações selecionadas pela Marinha em plataformas capazes de controlar remotamente sistemas marítimos não tripulados. 

Isso significa que o conceito pode ir além do próprio NAM Atlântico.

Uma arquitetura que pode integrar diferentes sistemas

Outro ponto importante é que o CASNAV não trabalha com o VSNT como uma tecnologia isolada.

A Divisão de Sistemas Autônomos, Virtuais e Inteligentes do Centro possui atuação em comando e controle, integração de sensores, automação, comunicações e sistemas marítimos autônomos. Entre os projetos citados oficialmente está o próprio PRISMA. 

Em junho de 2026, durante o 3º Workshop sobre Proteção de Cabos Submarinos, o CASNAV também apresentou possibilidades de emprego de VSNT em patrulhas preventivas e no apoio a navios de reparo, além da interoperabilidade entre VSNT, UUV e UAV

Essa perspectiva é particularmente interessante para a Amazônia Azul.

Um sistema de superfície não tripulado pode atuar como uma plataforma intermediária, recebendo ou transmitindo informações e trabalhando em conjunto com outros sistemas não tripulados.

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Foto: Marinha do Brasil

PRISMA 2.0 e a evolução da tecnologia

O desenvolvimento do PRISMA também não está encerrado.

Em 2025, o CASNAV apresentou o PRISMA durante o Rio Innovation Week e informou que uma próxima evolução, denominada PRISMA 2.0, teria foco em cibersegurança e funcionalidades avançadas de controle e automação.

Esse ponto merece atenção porque, quanto maior a dependência de sistemas remotos e conectados, maior também é a importância da proteção das comunicações, dos sistemas de controle e das informações transmitidas.

Em uma arquitetura naval, a segurança cibernética deixa de ser apenas uma questão de tecnologia da informação e passa a fazer parte da própria segurança operacional do sistema.

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Foto: Marinha do Brasil

O emprego em medidas de contraminagem

Outro campo de interesse está relacionado às operações de contraminagem.

O CASNAV informa que sua área de Sistemas Autônomos, Virtuais e Inteligentes atua também em projetos relacionados à detecção de objetos submarinos e medidas de contraminagem

O emprego de veículos não tripulados nesse tipo de missão pode reduzir a exposição direta de militares a ambientes de risco.

Em vez de enviar imediatamente uma plataforma tripulada para determinada área, sistemas autônomos podem ser utilizados para obter informações preliminares, realizar reconhecimento ou apoiar a tomada de decisão.

As aplicações específicas dependem, naturalmente, da configuração dos veículos, sensores e sistemas de missão.

O próximo passo

A instalação da Estação Remota de Controle no NAM Atlântico não representa o ponto final do projeto.

O CASNAV informa que ainda estão previstas etapas de homologação e aquisição dos rádios MeshIP, com posterior incorporação definitiva desses equipamentos ao parque de antenas do navio. 

A consolidação dessa infraestrutura será importante para futuras operações com VSNT a bordo do NAM Atlântico.

Ao mesmo tempo, o projeto VSNT possui metas de expansão. Entre elas está a previsão, registrada pelo CASNAV, de receber uma terceira embarcação convertida em VSNT até o final de 2026, além do aperfeiçoamento dos sistemas de controle remoto e autonomia. 

Uma nova camada de capacidade para a Marinha

O PRISMA representa mais do que um software de controle.

Sua evolução mostra a construção de uma arquitetura capaz de conectar navios, estações de controle, veículos não tripulados, redes de comunicação e sensores.

A integração do sistema ao NAM Atlântico acrescenta uma dimensão operacional importante: a possibilidade de utilizar uma grande plataforma naval como elemento de controle e apoio para veículos de superfície não tripulados.

O projeto também demonstra uma característica importante do desenvolvimento tecnológico brasileiro: a capacidade de começar com recursos relativamente modestos, validar soluções em exercícios reais e, posteriormente, ampliar a integração com sistemas e plataformas da Marinha.

A instalação da Estação Remota de Controle representa, portanto, mais uma etapa na construção de uma capacidade nacional de emprego de sistemas marítimos não tripulados.

Mais do que substituir uma embarcação tripulada, a proposta aponta para uma evolução do Poder Naval em direção a arquiteturas distribuídas, nas quais diferentes plataformas podem compartilhar sensores, comunicações, comando e controle para ampliar a consciência situacional e reduzir a exposição humana em determinadas tarefas.

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Créditos:

Texto: Jhonanta Marcelino | Zona de Manobra
Fotos: CASNAV | Marinha do Brasil
Fontes: CASNAV e Marinha do Brasil

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