As Embarcações de Desembarque de Carga Geral (EDCG) desempenham um papel fundamental nas operações anfíbias da Marinha do Brasil. São elas as responsáveis por executar o chamado Movimento Navio–Terra, transportando tropas, viaturas e equipamentos diretamente dos navios para a praia, garantindo rapidez, segurança e continuidade no desembarque das forças.
Projetadas para operar em ambientes costeiros e áreas de difícil acesso, as EDCGs possuem grande capacidade de carga e robustez estrutural, permitindo o transporte simultâneo de militares, armamentos e veículos — incluindo viaturas blindadas e meios anfíbios. Essa versatilidade faz dessas embarcações um dos pilares do poder anfíbio da Força Naval.
Mais do que realizar o transporte entre os navios e a costa, as EDCGs representam um dos principais elementos da capacidade expedicionária da Marinha do Brasil. Essas embarcações permitem que a Força de Fuzileiros Navais projete poder do mar para terra com rapidez, segurança e flexibilidade, sendo empregadas em operações militares, exercícios de adestramento, ações humanitárias e missões de apoio à Defesa Civil.
Sua elevada capacidade de carga e a possibilidade de operar em praias e áreas de difícil acesso fazem das EDCGs um meio indispensável para o sucesso das operações anfíbias, garantindo o desembarque contínuo de tropas, viaturas, equipamentos e suprimentos necessários ao cumprimento das missões.
Uma lembrança que despertou a paixão pelas operações anfíbias
Cresci acompanhando as operações da Marinha do Brasil na Praia de Itaóca, no litoral sul do Espírito Santo. Desde muito cedo, aguardava com ansiedade os dias em que os navios surgiam no horizonte, fundeados nas proximidades da Ilha dos Franceses. Para mim, aquela era a certeza de que uma grande operação anfíbia estava prestes a começar. Eu e meus primos pegávamos as bicicletas e seguíamos para uma área que, para os moradores da região, sempre foi conhecida como “Mareterra”, próxima à base dos Fuzileiros Navais. Dali observávamos as Embarcações de Desembarque de Carga Geral (EDCG) aproximando-se da praia para realizar o Movimento Navio–Terra, desembarcando tropas, viaturas e equipamentos que participavam das operações conduzidas pela Marinha do Brasil. O que mais chamava a atenção era a precisão de cada manobra. Em poucos minutos, as embarcações encostavam na praia, descarregavam militares e meios operativos e retornavam imediatamente ao navio para uma nova missão. Tudo acontecia de forma extremamente sincronizada, demonstrando a capacidade logística e o elevado nível de preparo dos Fuzileiros Navais. Para quem assistia da areia, era impossível não se impressionar com a velocidade e a eficiência daquela operação. Foram essas experiências que despertaram minha paixão pelo universo da Defesa e pelas operações anfíbias da Marinha do Brasil. Anos depois, essa admiração deu origem ao Zona de Manobra, um projeto dedicado a aproximar o público da realidade das Forças Armadas por meio de informações técnicas, registros exclusivos e conteúdos especializados. Ainda hoje, cada operação que acompanho desperta o mesmo entusiasmo da infância. Entre os objetivos que carrego como editor está o desejo de registrar, um dia, uma operação embarcado em uma EDCG, mostrando ao público a perspectiva de quem participa do Movimento Navio–Terra e evidenciando a importância dessas embarcações para o sucesso das operações anfíbias da Marinha do Brasil.
Jhonanta Marcelino
Mobilidade, prontidão e projeção de poder
As EDCGs simbolizam a capacidade da Marinha do Brasil de projetar poder do mar para terra de forma rápida e eficiente. Integradas aos meios navais e às unidades do Corpo de Fuzileiros Navais, elas garantem a mobilidade necessária para o desembarque de forças em diferentes cenários operacionais, contribuindo para o sucesso de operações anfíbias e ribeirinhas em todo o território nacional.
Ao longo das últimas décadas, essas embarcações tornaram-se parte da identidade das grandes operações anfíbias da Marinha do Brasil, demonstrando, a cada exercício e missão, a importância do Movimento Navio–Terra para a manutenção da capacidade expedicionária da Força Naval.