Hospital de Campanha da Marinha durante demonstração de sua estrutura para atendimento em situações de emergência. Crédito: Marinha do Brasil

Marinha coloca Hospital de Campanha no centro da resposta brasileira a desastres

Marinha do Brasil Fuzileiros Navais

O Hospital de Campanha da Marinha, empregado na Venezuela, reúne capacidade cirúrgica, UTI, enfermaria e suporte próprio; a experiência levou o Brasil a solicitar o reconhecimento internacional da unidade.

A resposta a um grande desastre não depende apenas da chegada de equipes de emergência. Em cenários onde hospitais e infraestrutura local são afetados, é necessário levar junto uma estrutura capaz de oferecer atendimento médico, realizar procedimentos, manter pacientes internados e continuar funcionando mesmo em condições adversas.

É nesse contexto que a Marinha do Brasil vem ampliando e aperfeiçoando sua capacidade de resposta humanitária.

Essa capacidade esteve no centro do II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres Naturais, realizado em 28 de agosto pelo Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav), em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores.

O encontro reuniu mais de mil participantes, entre civis e militares, para discutir assistência humanitária, cooperação internacional e formas de aprimorar a resposta brasileira diante de desastres.

articipantes do II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres.
Participantes do II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres.
Foto: Marinha do Brasil

Hospital de Campanha da Marinha: a capacidade empregada na Venezuela

O principal exemplo apresentado durante o seminário foi o Hospital de Campanha da Marinha (HCamp), empregado no atendimento às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela em junho de 2026.

Segundo a Marinha, o hospital brasileiro foi o primeiro a chegar e o primeiro a iniciar o atendimento no país. A estrutura foi transportada por aeronaves KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira.

A experiência deixou de ser apenas uma demonstração de capacidade e passou a servir como referência para o aprimoramento da atuação brasileira em operações humanitárias.

Em consequência do desempenho da unidade na Venezuela, o Brasil apresentou à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) uma nota verbal solicitando o reconhecimento do Hospital de Campanha como Equipe Médica de Emergência de nível 2 da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Essa classificação está relacionada à capacidade de oferecer atendimento ambulatorial, realizar cirurgias e manter pacientes internados.

O que existe dentro do Hospital de Campanha da Marinha?

O Hospital de Campanha da Marinha (HCamp) não é apenas uma estrutura para primeiros socorros.

O complexo médico-expedicionário conta com 30 leitos de enfermaria e quatro leitos de UTI, além de centro cirúrgico e laboratório de análises clínicas.

Também possui equipamentos de raios X e ultrassonografia, além de estruturas para atendimento odontológico, fisioterapia e assistência farmacêutica.

A capacidade inclui ainda atendimento em pediatria, ortopedia e obstetrícia, além de assistência social e acompanhamento psicológico.

Existe ainda uma característica importante para uma estrutura destinada a operar em áreas afetadas por desastres: o hospital possui recursos próprios para sustentar seu funcionamento.

Entre eles estão uma estação de tratamento de água, cozinha de campanha e sistema de comunicação por satélite.

Na prática, isso permite que a estrutura leve consigo não apenas profissionais de saúde, mas parte da infraestrutura necessária para estabelecer uma capacidade médica em um ambiente onde os serviços locais podem estar comprometidos.

Estrutura do Hospital de Campanha da Marinha durante demonstração de atendimento médico.
Estrutura do Hospital de Campanha da Marinha durante demonstração de atendimento médico.
Foto: Marinha do Brasil

Da resposta emergencial ao reconhecimento internacional

A experiência venezuelana também colocou o Hospital de Campanha da Marinha (HCamp) em uma nova etapa.

O pedido de reconhecimento como Equipe Médica de Emergência de nível 2 representa uma tentativa de inserir formalmente essa capacidade brasileira no sistema internacional de resposta a emergências de saúde.

O processo ainda está em andamento. Portanto, o Hospital de Campanha da Marinha (HCamp) não deve ser apresentado como já certificado pela OMS.

O que existe oficialmente é a solicitação de reconhecimento encaminhada à OPAS, que representa a OMS no Brasil.

A Marinha e a resposta brasileira a desastres

O seminário também mostrou que a resposta a desastres não depende de uma única organização.

Durante o encontro foram discutidos temas como medicina operativa, gerenciamento de riscos, Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA), atuação da Força Nacional do SUS e mecanismos de apoio do BNDES.

O banco informou ainda ter firmado acordos de cooperação com a Marinha do Brasil, CEMADEN e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) no contexto de sua preparação para eventos extremos.

É justamente essa integração que transforma uma capacidade isolada em uma resposta coordenada.

Seminário reuniu militares, especialistas e representantes de diferentes instituições para discutir resposta a desastres.
Seminário reuniu militares, especialistas e representantes de diferentes instituições para discutir resposta a desastres. Foto: Marinha do Brasil

O papel do Corpo de Fuzileiros Navais

A participação do Corpo de Fuzileiros Navais também esteve presente no seminário.

O Comandante-Geral do CFN, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, participou da mesa de abertura e destacou a prontidão brasileira demonstrada durante a resposta aos terremotos na Venezuela.

A presença do CFN no contexto das operações humanitárias reforça uma característica da Marinha: a capacidade de empregar pessoal e estruturas militares em diferentes ambientes e situações, inclusive quando a missão deixa de ser exclusivamente operacional e passa a envolver assistência à população afetada por uma emergência.

Autoridades durante o II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres.
Autoridades durante o II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres. Foto: Marinha do Brasil

As lições deixadas pela Venezuela

O seminário também serviu para discutir as experiências acumuladas durante a operação na Venezuela.

A programação abordou a atuação das Equipes Médicas de Emergência (EMT), logística, busca e resgate, emprego do Hospital de Campanha e as próprias lições aprendidas durante a resposta aos terremotos.

Essa etapa é importante porque uma operação humanitária não termina quando o atendimento é encerrado.

Cada emprego permite identificar dificuldades, aperfeiçoar procedimentos e melhorar a velocidade de resposta para uma próxima emergência.

Uma capacidade que vai além do atendimento médico

O caso do Hospital de Campanha mostra uma dimensão pouco percebida das operações humanitárias.

Para colocar uma unidade médica em funcionamento depois de um desastre, não basta transportar médicos e equipamentos. É necessário garantir água, alimentação, energia, comunicação, logística, infraestrutura e capacidade de atendimento contínuo.

Foi justamente essa estrutura que a Marinha apresentou durante o seminário.

A experiência na Venezuela demonstrou que a capacidade brasileira pode ser empregada rapidamente fora do território nacional e, agora, está sendo submetida a um processo para buscar reconhecimento internacional.

Mais do que uma estrutura médica, o Hospital de Campanha representa uma capacidade expedicionária que permite ao Brasil levar assistência a locais onde a infraestrutura foi severamente afetada.

E a experiência venezuelana mostra que, em uma emergência de grandes proporções, chegar primeiro é apenas o começo. É preciso ter capacidade para permanecer, atender e sustentar a missão.

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Créditos

Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino — Zona de Manobra
Fonte: Agência Marinha de Notícias — Marinha do Brasil

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