CMD 2028–2050

CMD 2028–2050: Marinha participa da construção do cenário militar de defesa para o futuro

Marinha do Brasil Segurança Marítima Tecnologia e Defesa

Grupo de Trabalho criado pelo Ministério da Defesa deverá analisar tendências, incertezas e possíveis impactos sobre o emprego das Forças Armadas até 2050

O futuro da Defesa brasileira começou a entrar em uma nova etapa de planejamento.

O Ministério da Defesa criou um Grupo de Trabalho responsável por elaborar o Cenário Militar de Defesa CMD 2028–2050, documento que deverá analisar tendências, incertezas e possíveis transformações capazes de impactar o setor de Defesa Nacional e o emprego das Forças Armadas nas próximas décadas.

E a Marinha do Brasil estará diretamente envolvida nessa construção.

A medida foi estabelecida pela Portaria GM-MD nº 4.363, de 24 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 27 de agosto de 2026.

CMD 2028-2050 o que é e para que serve?

O Cenário Militar de Defesa CMD 2028–2050 não é um programa de aquisição de equipamentos e também não define, neste momento, quais navios, submarinos, aeronaves ou sistemas deverão ser incorporados pelas Forças Armadas.

A proposta é anterior a essas decisões.

De acordo com a portaria, o Grupo de Trabalho deverá definir a metodologia, o cronograma e o escopo das atividades, além de participar de oficinas e aprofundar análises com diferentes perspectivas de especialistas.

O objetivo é identificar temas, tendências e incertezas que tenham potencial para produzir impactos futuros sobre a Defesa Nacional.

O grupo também deverá identificar contextos, variáveis, atores e informações relevantes cujas possíveis evoluções possam afetar o emprego das Forças Armadas no cumprimento de sua destinação constitucional.

Em outras palavras, trata-se de uma tentativa de olhar para o futuro antes que os desafios se apresentem.

CMD 2028-2050 onde entra a Marinha?

A participação da Marinha está definida na própria composição do Grupo de Trabalho.

A Portaria GM-MD nº 4.363 estabelece dois representantes do Comando da Marinha, ao lado de dois representantes do Comando do Exército e dois do Comando da Aeronáutica.

O grupo também reúne representantes de diferentes estruturas da administração central do Ministério da Defesa e do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

Isso significa que a perspectiva marítima estará presente na construção de um cenário destinado a analisar como possíveis mudanças no ambiente estratégico poderão influenciar o emprego das Forças Armadas.

A portaria, porém, não estabelece quais capacidades específicas da Marinha serão priorizadas.

Essa definição ainda faz parte de um processo futuro de planejamento.

Mais do que prever ameaças, construir capacidades

Um dos pontos mais importantes da portaria está no objetivo de utilizar o CMD para construir conhecimento sobre possibilidades de atuação e hipóteses de emprego.

Esse conhecimento deverá contribuir para a identificação e construção das capacidades militares necessárias para aumentar a efetividade das Forças Armadas no cumprimento de suas missões.

O documento também determina que o CMD 2028–2050 deverá fornecer as bases necessárias para a elaboração da Política Militar de Defesa (PMD) e da Estratégia Militar de Defesa (EMD).

É justamente nesse ponto que o estudo ganha importância.

O cenário construído agora poderá servir como uma das bases para etapas posteriores do planejamento militar brasileiro.

CMD 2028–2050
Navios da Marinha do Brasil durante operação no mar: diferentes meios integram as capacidades do Poder Naval. Foto: Marinha do Brasil

Como o futuro será estudado?

A portaria prevê o uso de ferramentas de prospectiva, redes de pesquisa e gestão do conhecimento em áreas de interesse da Defesa e da segurança nacional.

O Grupo de Trabalho também poderá participar de oficinas para discutir assuntos que necessitem de maior aprofundamento e contar com especialistas militares ou civis que possam contribuir tecnicamente com os trabalhos.

A intenção é construir uma visão de longo prazo a partir de diferentes análises, e não simplesmente projetar o presente para as próximas décadas.

O que a portaria não revela?

Há uma limitação importante no processo.

Até a aprovação do CMD 2028–2050, a divulgação das discussões realizadas pelo Grupo de Trabalho ficará restrita às estruturas hierárquicas e de comando dos respectivos membros, por meio de canais adequados ao grau de sigilo ou restrição de acesso.

Por isso, a portaria não apresenta uma lista de futuras plataformas, armamentos ou sistemas que deverão ser adquiridos.

Também não define quais tecnologias serão consideradas prioritárias.

O documento estabelece um processo de análise e planejamento, e não uma relação de futuras compras.

O prazo vai até 2027

O trabalho não será concluído em poucos meses.

A Portaria estabelece que o Grupo de Trabalho funcionará até 15 de dezembro de 2027. O relatório contendo a proposta para o CMD 2028–2050 deverá ser submetido ao Chefe de Assuntos Estratégicos do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas até essa mesma data.

Antes disso, o coordenador deverá apresentar a metodologia, o cronograma e o escopo das atividades em até 15 dias da publicação da portaria.

O processo, portanto, terá uma duração significativa.

O que isso pode representar para a Marinha?

Ainda não é possível responder quais serão as futuras prioridades da Força.

O que já está definido é que a Marinha participará da construção de um cenário militar que pretende identificar tendências, incertezas, possíveis evoluções e hipóteses de emprego capazes de influenciar as capacidades militares brasileiras até 2050.

Para uma Força que atua em um ambiente marítimo cada vez mais complexo, essa análise de longo prazo poderá ser importante para conectar os desafios futuros às capacidades que serão necessárias para enfrentá-los.

O Submarino Riachuelo (S40) representa uma das capacidades estratégicas atuais da Marinha do Brasil.
O Submarino Riachuelo (S40) representa uma das capacidades estratégicas atuais da Marinha do Brasil. Foto: José Dias/PR

Mas existe uma diferença fundamental entre planejar o futuro e decidir o futuro.

A Portaria GM-MD nº 4.363/2026 dá início ao processo de construção desse cenário. As decisões sobre quais capacidades serão efetivamente desenvolvidas dependerão das etapas seguintes do planejamento de Defesa.

Por enquanto, uma coisa está definida:

a Marinha do Brasil estará à mesa enquanto o Brasil começa a desenhar, com horizonte até 2050, o cenário militar que poderá orientar as capacidades de Defesa das próximas décadas.

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Créditos

Texto e adaptação: Jhonanta Marcelino — Zona de Manobra

Fonte: Diário Oficial da União — Portaria GM-MD nº 4.363, de 24 de agosto de 2026

Publicado no DOU em 27 de agosto de 2026 — Seção 1, página 12.

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